Produtor “lava” a gasolina comum para torná-la pura

Desde 1º de agosto de 2025, a legislação brasileira, por meio de decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e amparada pelo programa “Combustível do Futuro”, estabeleceu que a mistura obrigatória de etanol anidro (álcool) à gasolina comum e aditivada passou a ser de 30%.

Percentual Obrigatório (E30): 30% de etanol anidro (álcool – sem água) e 70% de gasolina pura. Essa medida visa aumentar a octanagem e reduzir a importação de combustíveis fósseis.

Com 30% de etanol na gasolina, o produtor rural Pedro Meurer, de Linha Beleza, interior de Itapiranga, conta que seguidamente precisava levar seus equipamentos, como motosserra e roçadeira, para a oficina.

Para resolver isso, Pedro aprendeu de um amigo como se transforma gasolina comum, que contém etanol (álcool) conforme norma brasileira, em gasolina pura. Como ele mesmo diz: “lavar a gasolina com água”. 

Pedro explica que usa garrafa pet para fazer o processo. Primeiro, coloca um pouco de água, “dois dedos”, depois derrama a gasolina comum sobre a água até quase encher a garrafa, deixando uma borda de “dois dedos”. Em seguida, vira a garrafa de ponta cabeça e deixa assim de um dia para o outro.

A água vai se misturando com o álcool e vai descendo, e a gasolina pura, que não se mistura com a água, vai subindo até se separar totalmente da água e do álcool. Fica bem nítido dentro da garrafa transparente as duas camadas: gasolina em cima e água misturada com o álcool embaixo. Aí basta abrir lentamente a tampa da garrafa e deixar escorrer a água com o álcool, até a divisa com a gasolina. Permanecendo na garrafa somente a gasolina pura que é usada para abastecer motosserra, roçadeira e outros motores pequenos à gasolina. De 5 litros de gasolina comum, sobram aproximadamente 3,5 litros de gasolina pura, explica Pedro.

Segundo Meurer, desde que ele faz esta separação da gasolina pura, está tendo poucos problemas mecânicos com seus equipamentos menores.

Como acontece a separação?

Para responder esta pergunta, a nossa reportagem conversou com o ex-professor de Química, Gilmar Thums, de Iporã do Oeste. Ele explica que “o álcool é polar igual a água e se dilui em proporções infinitas. Daí o álcool sai da gasolina e fica com a água que é mais densa (pesada) e com isso separando da gasolina que é Apolar. Com isso obtendo gasolina sem misturas.”

Atenção:

Fabricantes de equipamentos geralmente recomendam seguir as especificações técnicas do manual, utilizar combustível dentro do padrão oficial e adotar boas práticas de armazenamento — como evitar estocar gasolina por longos períodos e manter recipientes adequados e bem vedados.

Antes de realizar qualquer modificação no combustível, é prudente buscar orientação técnica especializada e verificar as recomendações do fabricante do equipamento.

Jornal Expressão

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