Aos 20 anos, Gabriela Delazeri já vive uma rotina que muitos só imaginam: o volante do caminhão. Antes mesmo do amanhecer, ela assume o volante e percorre as estradas da região coletando leite. É uma das poucas mulheres leiteiras em atividade, e seu trabalho chama atenção pelo profissionalismo, pela dedicação e, principalmente, pela coragem de abrir caminho em um espaço historicamente masculino.
Gabriela começou oficialmente na área em 1º de agosto, quando surgiu a oportunidade de assumir uma rota. Mas, segundo ela, a vontade já existia muito antes. “Sempre tive paixão por caminhões. Desde pequena eu achava lindo e sentia que aquilo um dia faria parte da minha vida”, conta.
Sem referência familiar — já que é a única da família ligada ao transporte —, Gabriela tomou a decisão por conta própria. “Foi uma escolha minha, um sonho meu”, reforça.
O primeiro dia na estrada, ela lembra bem: um misto de ansiedade e desafio. “Tudo era novidade, mas eu fui com a mente firme, sabendo que cada obstáculo faria parte do aprendizado”, relembra.
Hoje, sua rotina é intensa. Gabriela acorda às 5h da manhã e só retorna quando finaliza toda a rota — horários que variam conforme imprevistos do caminho. Por dia, chega a rodar entre 230 e 240 quilômetros, passando por comunidades de Tunápolis, Santa Helena e Belmonte.
“Estar na estrada é sempre o maior desafio. É preciso atenção, cuidado e paciência. Cada trecho nos exige algo diferente”, comenta.
E se o trabalho é exigente, a convivência com os produtores rurais é uma das partes mais marcantes da profissão. Muitos se surpreendem ao ver que quem chega ao pátio é uma mulher ao volante. “A maioria reage com admiração, elogios e respeito”, relata.
Entre as situações inusitadas que já viveu, Gabriela destaca que a estrada sempre guarda surpresas. “Todos os dias acontece algo novo. A gente aprende muito, mesmo nas pequenas coisas”, diz.
Ser uma das poucas mulheres na função também desperta nela sentimentos especiais. “É um orgulho enorme. A gente sente o carinho das pessoas, sente que está abrindo portas e representando outras mulheres que sonham com isso”, afirma.
Para quem deseja seguir o mesmo caminho, Gabriela deixa um conselho simples e direto: “Não desistam. Tudo vale a pena quando a gente faz com vontade e coragem.”
E ela mesma tem sonhos grandes pela frente. Entre eles, o principal: conquistar o próprio caminhão. “Quero continuar muitos anos nessa área. A estrada me ensinou muito e continua ensinando todos os dias”, finaliza, com a certeza de que está exatamente onde sempre quis estar.



