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quinta-feira, março 12, 2026
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Resiliência, cura e gratidão- A luta contra o câncer

Outubro é mais do que um mês colorido de rosa: é um tempo de reflexão, coragem e esperança. É quando histórias de luta se transformam em lições de vida, e o medo dá lugar à força que só quem enfrenta o câncer conhece. Há histórias que nascem da dor, mas florescem em coragem. Mesmo quando o corpo enfraquece, o espírito se revela mais forte do que nunca.

Por trás de cada diagnóstico de câncer, há uma mulher que chorou, acreditou, persistiu e renasceu. Mulheres que aprenderam a se olhar com mais amor, a valorizar o hoje e a transformar cicatrizes em símbolos de vida. Nesta reportagem, damos voz a quem viveu o medo, a incerteza e a esperança, mas que hoje inspira outras a nunca desistirem.

Seus depoimentos são um lembrete de que a prevenção salva, o amor cura e a fé sustenta. São histórias de superação que celebram a vida, em todas as suas formas e recomeços.

“A fé transformou o medo em coragem”

Há momentos em que a vida muda em silêncio. Às vezes, basta um gesto simples: uma conversa, um convite, um exame de rotina. Foi assim com Marilei Wilbert, moradora de Tunápolis. Ela fazia a mamografia como recomendavam. Até que um dia, incentivada por uma agente de saúde, resolveu aproveitar o caminhão rosa que estava em Iporã do Oeste e fazer o exame. Não imaginava que, naquele momento, estava dando o passo que salvaria sua vida. “Eu fazia o exame a cada dois anos, por causa da idade. A agente perguntou se eu não queria aproveitar e fazer lá, e eu fui. Foi através disso que descobri o câncer”, recorda.

Alguns dias depois, a notícia veio envolta em angústia e incerteza. No dia 9 de dezembro, fez a biópsia. O resultado sairia no dia 26, um dia após o Natal.
Mas aquele Natal não teve o mesmo brilho. As luzes estavam acesas, mas o coração de Marilei estava inquieto. A festa, o riso, os abraços — tudo parecia distante. “Eu sabia que no dia seguinte teria que ir a Cascavel buscar o resultado. E, no fundo, eu já sentia que não era algo simples. Rezava baixinho, pedindo a Deus que fosse um engano. Mas também pedia força para aceitar, se não fosse.”

Na manhã seguinte, o médico confirmou o que o coração já suspeitava: câncer de mama. O chão pareceu sumir por um instante. Mas logo o amor e a fé ocuparam o lugar do medo. Ao lado do marido, Marilei respirou fundo e escolheu a coragem.
“Eu não chorei. Me fiz forte. Disse a mim mesma: vou ficar boa de novo. Tenho um filho pra criar, tenho fé em Nossa Senhora Aparecida. E fé é o que move montanhas.”

Desde então, cada dia se tornou um recomeço. As orações se tornaram abrigo, e a fé, um farol em meio às tempestades.
O tratamento começou em janeiro, e tudo aconteceu com uma rapidez que surpreendeu. A primeira quimioterapia foi no dia 20. E ela enfrentou cada sessão com serenidade e esperança.
“Eu nunca me deixei abater. Cada quimio era menos uma. Eu contava: agora faltam sete, depois seis… e assim fui indo. Nunca pensei em desistir.”

Mesmo durante o tratamento, Marilei continuou trabalhando. Faxineira dedicada, encontrou na rotina uma forma de manter a mente ocupada e o espírito firme. Nos dias das quimios, descansava e deixava o remédio agir — mas logo voltava à vida, ao convívio, ao riso.
Não houve náuseas, nem fraqueza excessiva. Houve, sim, uma força inexplicável. A força de quem decide viver.

O momento mais difícil foi contar ao filho. Como explicar a um jovem o que é o câncer?: “Ele só me perguntou se eu tinha cura. Eu disse que sim. E quando meu cabelo começou a cair, ele olhou pra mim e disse: ‘Mãe, tá bonita assim. Teu cabelo vai crescer de novo’. Naquele instante, todo o medo se dissolveu. O amor dele me curou um pouco todos os dias.”

O apoio do marido, da família, dos amigos e até dos patrões foi essencial. “Eram eles que me amparavam quando o cansaço batia, que faziam rir nos dias nublados, que lembravam que a vida continuava linda, mesmo com cicatrizes”.

No dia 22 de julho, Marilei passou pela cirurgia de retirada e reconstrução da mama. Tudo correu bem. Um mês depois, veio a notícia que ela tanto esperava: o câncer estava em remissão.
“Foi o dia mais feliz da minha vida. Um dia de gratidão. De olhar pro céu e dizer: obrigada, Senhor, por me permitir recomeçar.”

Hoje, ela segue com o tratamento de manutenção, toma o remédio diário e continua com os acompanhamentos. Mas vive com leveza. Aprendeu que o tempo é precioso, que o amanhã é uma dádiva e que a fé é o maior remédio.

“Quando a doença vem, a gente percebe que o ser humano não é nada. Eu decidi viver o meu hoje com amor e gratidão. A vida é agora, e cada novo amanhecer é uma benção.”

Hoje, o Outubro Rosa tem outro significado para ela. É um tempo de gratidão e esperança. “Sou prova viva de que acreditar no tratamento e na ciência salvam. E que, mesmo nos dias mais nublados, Deus sempre mostra uma luz lá no fim.”

E hoje, quando olha para trás, ela não vê apenas o que sofreu — vê o quanto cresceu. Porque, no fim das contas, o câncer não venceu.
O que venceu foi a coragem, a fé e a vontade imensa de viver.

Parte 1 do especial OUTUBRO ROSA: A força de quem venceu e de quem ainda luta conta o câncer, publicado na edição 1011 de 16 de outubro.

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