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quinta-feira, janeiro 8, 2026
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CONTRAPONTO – Edinei Führ

Na coluna da semana passada, abordei a PEC da Blindagem, aprovada na Câmara dos Deputados. A proposta, em tese, ampliava a proteção dos parlamentares em algumas questões jurídicas. No entanto, a opinião popular foi amplamente negativa e, ao chegar ao Senado, o projeto foi rejeitado e arquivado. Portanto, é um assunto já vencido. Ainda em referência ao artigo anterior, em que também tratei da “PEC da Dosimetria”, que poderia substituir uma possível anistia aos envolvidos nos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023, o tema pouco avançou nos últimos dias. O relator do projeto, deputado Paulinho da Força (SD-SP), segue dialogando com os blocos partidários para costurar um texto adequado.

Falar sobre polarização é “chover no molhado”, pois já abordei o assunto muitas vezes. Ainda assim, é assustador observar algumas consequências que ela tem desencadeado, especialmente nas redes sociais, que parecem uma terra sem lei, onde qualquer um escreve o que quer, sem se preocupar minimamente com a veracidade das informações, muitas vezes, com uma enorme falta de respeito. Tenho acompanhado, nos últimos tempos, publicações em portais da nossa região, de diferentes assuntos, mas em todas, absolutamente todas as publicações, os comentários acabam envolvendo “direita e esquerda” ou “Lula e Bolsonaro”. Frequentemente com adjetivos pesados, que sequer ousaria replicar neste espaço.

O que mais preocupa é a disseminação de informações falsas e a crença em mentiras absurdas alimentadas pelo fanatismo político. Fica aqui a reflexão: temos inúmeras ferramentas de pesquisa ao alcance das mãos, nas próprias plataformas em que estão as redes sociais. Antes de entrar em qualquer discussão, use o Google, consulte alguma IA (Inteligência Artificial) e pesquise se a informação procede. Verifique as fontes para não correr o risco de propagar “fake news”, outro tema que já abordei neste espaço.

Uma das publicações que me chamou a atenção foi em um portal de grande alcance regional, noticiando o anúncio da pré-candidatura do prefeito de Itapiranga, Alexandre Ribas (PL), a deputado estadual no pleito do próximo ano. A notícia foi apresentada de forma clara, informando que o anúncio ocorreu em um evento regional do partido. Porém, ao observar os comentários, percebi a falta de empatia e de respeito de algumas pessoas e fiquei me perguntando: a troco de quê?

Reclamamos tanto da falta de representatividade da nossa região e, quando alguém se dispõe a buscar esse espaço, é atacado. É verdade que se tratou de uma minoria, mas, ainda assim, o episódio me assustou. A política é democrática: ninguém é obrigado a concordar ou compactuar ideologicamente com todos, mas isso não dá, em hipótese alguma, o direito de faltar com respeito. Deixo aqui também o reconhecimento à determinação e à coragem do prefeito de Itapiranga por se dispor a concorrer a um cargo de nível estadual, representando nosso município e região. Que tenha sucesso em sua jornada.

Saindo do cenário regional e nacional, vale também olhar para os movimentos internacionais que podem impactar o Brasil, especialmente no campo político e econômico. Durante a Assembleia Geral da ONU, houve um momento inesperado: ao término do discurso de Lula, quem discursou foi Donald Trump, que declarou ter “gostado” do presidente brasileiro, destacando uma “excelente química” entre ambos e fazendo referência também a um abraço entre eles, que ocorreu minutos antes. Mesmo diante das tensões recentes entre Brasil e Estados Unidos, esse gesto simbólico, embora curto, foi interpretado por analistas como uma tentativa de abrir uma brecha diplomática — talvez para negociar uma reversão parcial das tarifas de 50% impostas sobre produtos brasileiros ou suavizar sanções já em vigor.

Mas esse aceno de cordialidade vem acompanhado de riscos e dilemas para Lula. Por um lado, pode enfraquecer a narrativa de “inimigo externo” que tem sustentado parte de sua retórica política doméstica — estratégia que agora precisará ser repensada se Donald Trump, com sua marca imprevisível, for transformado em interlocutor. Por outro lado, aceitar esse gesto como um primeiro passo para o diálogo também impõe cautela: Lula deveria manter firme a defesa da soberania nacional e impor limites claros às exigências de compensações ou concessões, sem parecer que cedeu ingenuamente ao aceno americano.

Enquanto o escândalo das fraudes no INSS se arrasta, o governo segue tentando empurrar o caso com a barriga, jogando fumaça para todos os lados e desviando o foco da gravidade real do problema. As denúncias são robustas: descontos indevidos em benefícios de milhões de segurados, entidades fantasmas envolvidas e até carros de luxo comprados com dinheiro sujo. A prisão do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, decretada em flagrante no dia 29 pela CPMI do INSS, por falso testemunho, até soou como um ato firme, mas virou encenação: rápida liberação mediante fiança e nenhuma consequência prática. Parece mais um espetáculo para distrair a opinião pública do que um passo sério rumo à responsabilização.

Estamos diante do maior roubo público da história, se confirmado, muito maior que o Mensalão, muito maior que a Lava-Jato. E o que o governo apresenta até agora? Nada além de discursos vazios, promessas genéricas e a velha ladainha de que “estamos investigando”. Apenas uma semelhança entre todos os escândalos que citei: o mesmo partido no poder. Enquanto isso, aposentados e pensionistas continuam lesados, sem respostas, sem ressarcimento e sem saber quem realmente vai pagar por esse rombo. O recado que fica é perverso: quem frauda o sistema pode até passar alguns minutos algemado diante das câmeras, mas logo estará de volta para casa. O que está em jogo não é apenas o dinheiro desviado, mas a confiança da população em um Estado que, ao que parece, prefere encobrir seus podres a enfrentá-los de frente. Também chama a atenção a inércia do poder judiciário no caso, que para outros casos específicos vira um leão, mas neste fecha os olhos. Lamentável.

Publicado na edição 1009 de 02 de outubro!

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