O mundo teve sua alavancagem tecnológica durante a primeira Revolução Industrial, no século XVIII, que marcou a transição da produção artesanal e agrícola para larga escala, através de máquinas e tecnologias. Mudanças impulsionadas pela máquina a vapor e o desenvolvimento do ferro como matéria-prima. Quando falamos em Revolução Industrial, nos referimos à Inglaterra e Europa, inicialmente. Com a Segunda Revolução Industrial, já no século XIX, o advento industrial chegou também aos Estados Unidos.
Enquanto isso, no Brasil, ainda, os métodos de produção continuaram muito rústicos e artesanais. Com o fim do imperialismo e o início da Primeira República, em 1889, um ano após a assinatura da Lei Áurea (lei que acaba com a escravidão no Brasil), mudanças começaram a acontecer. A intensa imigração de europeus, principalmente italianos e alemães, nessa época, trouxe um olhar diferente para o ainda jovem país, Brasil. Com a implementação da energia elétrica no final do século XIX, no Rio de Janeiro inicialmente, o desenvolvimento começou a tomar proporções gigantescas.
A Europa, devastada pela Primeira Guerra Mundial, precisava recomeçar, já os Estados Unidos, com fortes crises econômicas, convergiam para tempos difíceis. Tudo isso fortalecia o Brasil, que começou, no século XX, principalmente após 1920, a desencadear um processo de crescimento jamais visto no mundo. Com a Segunda Guerra Mundial devastando novamente a Europa e parte da Ásia, a economia brasileira se consolidou mundialmente. O solo era fértil, a maior área cultivável do planeta estava aqui, clima propício para produzir praticamente de tudo, incentivo para as indústrias e formação de grandes polos industriais nas cidades litorâneas. O cenário era ideal. O Brasil chegava a crescer 15% ao ano, coisa que nem a China jamais cogitou tentar.
Durante a ditadura militar, o crescimento continuou expressivo, mesmo depois, durante os anos 90 e início dos anos 2000, a economia brasileira explodia, chegando a figurar na sétima posição mundial. Porém, depois de 2010, paramos totalmente de crescer. Por que será? Continuamos com a maior área cultivável do planeta, continuamos com a mesma configuração geográfica de 100 anos atrás e com muito mais tecnologia, com fascinantes avanços na área agrícola e instituições à frente como Embrapa, Senar, Senai, entre tantas outras. Costumo dizer que existem dois “Brasis”: o primeiro país, esse inclusive também chamo de Brasil real, da iniciativa privada, do agronegócio, da inovação e tecnologia, das pujantes empresas, do povo trabalhador; e o segundo país, o Brasil político, o qual eu chego à conclusão ser culpado pela estagnação econômica que enfrentamos.
No título deixo a pergunta “somos brasileiros?” justamente pelo estrago econômico que a polarização política tem causado, associo isso ao comportamento de uma grande parcela da população, que passou a defender ideologias partidárias em contrapartida de ideologias nacionais. Quando defendemos pessoas e não ideias, caímos num risco muito grande de os anseios não serem atendidos. Depois de 2005, com o escândalo do mensalão, que abalou os pilares nacionais à época, no primeiro governo do presidente Lula, tivemos, ano após ano, novos escândalos de corrupção. Muitas prisões de políticos influentes: houve prisão de presidente da República, presidente da Câmara, governadores, entre outros. Esses processos e investigações na área pública vão descredibilizando investidores em apostar no nosso país, tanto estrangeiros quanto nacionais, o que vai enfraquecendo a economia.
Se fizermos uma análise desde 2005, o número de empresas multinacionais que deixaram de operar no Brasil é gigantesco e alarmante. Citando algumas conhecidas, como Ford, Mercedes-Benz, Sony, LG, Audi, Walmart, entre tantas outras, algumas ainda aqui estão, mas diminuíram drasticamente o volume de suas atividades, como é o caso da agrícola John Deere. Todas essas empresas empregavam milhares de pessoas, geravam renda e economia para os municípios, estados e a nação. Claro que os motivos de encerrar atividades podem ser os mais variados possíveis, mas todos acabam na mesma causa: instabilidade econômica e política. Flutuações na economia, altas taxas de juros, inflação e incertezas políticas afastam investimentos.
Talvez cheguemos ao auge da hipocrisia política atualmente, quando vemos os papéis extremos se inverterem. Em 2018, quando o atual e ex-presidente à época foi preso, Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição desfilava e hasteava bandeiras brasileiras, em face do nacionalismo e da preservação da ordem do país. O uso da bandeira foi se agravando e, por hora, parecia pertencer a um único partido, eu sempre frisei: a bandeira e o orgulho nacionalista pertencem a todos os brasileiros. Claro que o outro lado preferia sempre hastear bandeiras vermelhas, que estavam associadas a movimentos não patriotas, estes, de invadir e tomar terras, fechar rodovias, pregar o comunismo e defender o aborto, entre outras atrocidades.
Com o anúncio da tarifa chamada pela imprensa de “tarifaço”, por parte do governo norte-americano no último mês, e dados os motivos furados por parte de interlocutores do governo norte-americano, que seriam encerrar o processo do 8 de janeiro, anistiar Jair Bolsonaro e calar o STF, a parte que defende tal prática passou a idolatrar ainda mais Donald Trump (presidente dos EUA). Digo “ainda mais” porque parcela de brasileiros já via nele alguma salvação. Então, seguindo nessa linha, passaram estes a usar bandeiras americanas, fotos do presidente americano, bonés e acessórios em alusão à democracia norte-americana. Esses mesmos que antes usavam bandeiras brasileiras e usavam o verde e amarelo, passaram a usar o vermelho e branco estadunidense. Em contrapartida, quem usava bandeiras vermelhas passou a usar a bandeira brasileira e adotar o discurso de patriotismo. Ambos os lados jogam a coerência pelo ralo e deixam claro que política se faz aproveitando o momento e adotando o discurso que convém a interesses pessoais, e não nacionais.
Ainda teremos muito assunto em face da política econômica. E é justamente por isso que espaços como o Jornal Expressão se tornam ainda mais importantes. Quero aproveitar para saudar a equipe pela edição de número 1000 e pelos 20 anos de história, que siga por muitas outras milhares de edições, levando informação correta e de qualidade a todos os leitores. Me sinto honrado em escrever semanalmente e colaborar com este espaço. Sugiro que o leitor compare informações, pesquise e possa ter a certeza da qualidade das informações do Jornal Expressão.
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Publicado na edição 1000 de 31 de julho de 2025.



