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sexta-feira, maio 24, 2024
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VITILIGO: A vida em torno das manchas

“Precisamos nos aceitar da forma que somos e ser feliz”, afirma afetada

Um problema físico de pele que afeta pessoas pelo mundo todo, mas que causa exclusão social, medo e dificuldades de aceitação do problema: Esse é o vitiligo.

A doença

O Vitiligo se caracteriza por ser uma doença que causa a perda da coloração da pele, formando lesões devido a diminuição ou a ausência de melanócitos, que são as células responsáveis pela formação da melanina nos locais afetados. A melanina é o pigmento que dá a coloração a pele. A falta de melanócitos causa lesões cutâneas de hipopigmentação, ou seja, faz surgir manchas brancas na pele, com tamanhos variáveis, e pode atingir todo o corpo.

Não é contagioso

Um fator de importante destaque é que o vitiligo não é contagioso e não traz prejuízos à saúde física do paciente, no entanto podem causar sensibilidade a luz solar, além de impactar de forma muito significativa na qualidade de vida e a autoestima da pessoa acometida.

Quando a doença é detectada, o médico dermatologista pode classifica-la em dois tipos. Uma delas é a segmentar (ou unilateral): quando as manchas se manifestam apenas numa parte do corpo. A outra é “Não segmentar (ou bilateral)”: quando as manchas se manifestam nos dois lados do corpo e normalmente aparecem em extremidades como mãos, pés, nariz e boca. Este é o tipo mais comum da doença.

Conviver com a doença

Nelsi Mayer Welter, 57 anos, é uma carismática e querida moradora da cidade de Tunápolis e convive com o vitiligo desde os 9 anos. Nelsi lembra que a primeira mancha apareceu com a cicatrização de uma pequena ferida em sua cintura. “Após isso demorou um bom tempo para aparecer uma segunda mancha, essa foi no joelho, onde eu não tinha nenhuma cicatriz”.

Nelsi relata que, assustada, foi procurar a ajuda de médicos, porém, nenhum tinha uma resposta na época. “Foi então que procuramos um dermatologista, aliás, vários dermatologistas, mas os tratamentos só me aliviavam os sintomas. Teve um tratamento que eu já estava com mais de 90% das manchas curadas, mas aí comecei a ficar cega. Havia perdido cerca de 70% da minha visão e então precisei interromper o tratamento. O médico havia me avisado de possível efeito colateral, mas eu quis arriscar. Parando o tratamento, as manchas voltaram novamente. Até ali eu me preocupava com o vitiligo, hoje não me preocupo mais. A gente precisa se aceitar da forma que somos e ser feliz”, afirma.

Welter salienta que as manchas em sua pele não coçam e não doem, mas queimam muito fácil: “Não preciso ir no sol, apenas ficar em um ambiente muito quente, já é o suficiente para as manchas ficarem vermelhas e começarem a arder, sendo um sintoma de queimadura”.

A exclusão social e o isolamento

É muito cruel o que acontece com algumas pessoas com vitiligo, principalmente por causa da ignorância a respeito da doença. Nelsi foi uma das pessoas que sofreu exclusão social em virtude do problema. “Comecei a viver situações onde, por exemplo, não compartilhavam mais chimarrão comigo, ao ponto de eu me sentir constrangida com a situação. Felizmente, com o passar dos anos, fui me acostumando com a doença e passei a ser aceita também pelas pessoas na sociedade. As pessoas achavam que era algo contagioso, mas não é, tanto que sou doadora de sangue e a cada 3 meses vou ao HEMOSC fazer minha doação”.

Ela afirma que o preconceito existiu pelo fato de menos da metade da população saber o que era o vitiligo. “Nem todos sabem que ele não é hereditário, que ele não é contagioso, que isso é um problema somente meu. É puramente a perda da coloração da pele e, em função disso, não tenho proteção nenhuma na pele. Felizmente hoje, o preconceito por parte da sociedade quanto ao vitiligo ficou no passado. Por isso é fácil entender quanto é importante dar informação às pessoas sobre as doenças de pele, que precisam ser mais divulgadas. Quando todos entendem do que se trata, tudo fica mais tranquilo”, comemora.

Ela lembra que a aceitação da doença não foi fácil. “No início, eu mesma me isolava, porque você sabe como somos nós mulheres, se temos uma espinha e queremos ir a um baile, já ficamos desesperadas. Então imagina eu com todas essas manchas pelo corpo. Teve épocas que eu não queria usar bermuda ou blusinhas de alcinha, porque eu realmente tinha muita vergonha e insegurança. Corri em busca de soluções, mas hoje me aceito, uso bermuda, blusinha regata e sou feliz e grata pela vida”, afirma.

Nelsi é a única em sua família com a doença. Casada há 37 anos, é funcionária pública e têm 3 filhos, nenhum com o problema da mãe. Tanto o marido quando os filhos sempre estiveram ao lado da esposa e mãe, incentivando e apoiando. “A autoaceitação é essencial para a autoestima e o amor-próprio. Você só consegue se amar quando se aceita do jeito que é. Ambos esses fatores, por sua vez, são indispensáveis para se ter uma vida cheia de realizações e felicidades”, finaliza.

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