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sexta-feira, abril 12, 2024
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Calor e umidade favorecem riscos de acidentes com animais peçonhentos

No verão é comum que aumentem os casos de acidentes com animais peçonhentos em Santa Catarina. A situação acontece devido ao fato do calor e a umidade serem propícios para a reprodução dessas espécies.

De acordo com o Dr. Joel Trenhago, Diretor Clínico da Associação Hospitalar de Tunápolis, as picadas de aranha tem uma característica muito interessante. “Essa característica é de que 90% das picadas de aranha são no pé. Isso acontece porque a aranha, normalmente, está dentro do calçado na hora em que a pessoa vai usá-lo. Para evitar, indicamos que sejam feitas prateleiras para elevar esse calçado do chão, para evitar que as aranhas adentrem no mesmo. Esse ato resolveria em quase 100% a questão das picadas desse animal”. Trenhago afirma que o horário mais comum de ocorrerem as picadas é por volta das 06h da manhã, justamente o horário no qual o agricultor sai da casa, usa o calçado e vai fazer seus afazeres diários na propriedade.

Na região a grande incidência de picadas é da aranha armadeira, a qual, de acordo com Joel, não chega a oferecer risco de vida, mas causa muita dor. Por sua vez, a picada da arranha marrom é indolor. Os sintomas começam algumas horas depois do ocorrido. “Normalmente o local da picada começa a ficar vermelho, com um ponto mais escuro no centro da picada. Depois pode apresentar vermelhidão em todo o corpo. A picada da aranha marrom pode afetar órgãos como o fígado, por exemplo. No local da picada pode haver necrose nos dias subsequentes, causando uma ferida profunda”.

O Médico explica que, no caso dos escorpiões, a dor também é terrível, quase insuportável, sendo a picada também perigosa. O doutor afirma que existem duas espécies principais de escorpião: amarelo e o marrom. “Na nossa região, os registros de picadas, em quase sua totalidade, são dos escorpiões marrons, que são menos perigosos, mas que também requerem cuidados”.

A maneira de elimina-lo é através da limpeza, uma vez que este animal gosta de se esconder em entulhos, madeira, telhas, porões de casa de madeira. “Quando chove muito, eles acabam procurando um local seco e, por isso, acabam entrando dentro de casa”.

Nos casos de acidentes por serpentes, o paciente deve ser tranquilizado e removido para o hospital ou centro de saúde mais próximo para aplicação de soro antiofídico.

“Sempre importante lembrar de, se conseguirem, capturar a aranha, escorpião ou cobra e leva-la junto para a unidade hospitalar para uma identificação da espécie”, frisa.

Um predador natural que pode-se optar em ter são as angolistas. As galinhas-d’angola são predadores naturais do animal peçonhento, tem uma importante participação no controle biológico, auxiliando através do consumo dessas pragas do meio rural.

“Uma dor incrivelmente intensa”

Tarcísio Bieger foi picado por um escorpião marrom. O fato aconteceu no mês de dezembro de 2023, enquanto Bieger fazia a limpeza, retirando folhas acumuladas na calha de coleta da água da chuva. “Senti a fisgada da picada e na sequência já senti muita dor, uma dor incrivelmente intensa, inclusive, chegava a suar. A picada foi no dedo da mão e aconteceu pelas 10 horas da manhã. Fiquei internado, em observação, até final da tarde, mas a dor acalmou mesmo somente durante a madrugada do dia seguinte. E não era somente dor no local da picada, mas sim no braço todo. Depois da dor passar, fiquei 14 dias com o braço dormente, mas graças a Deus passou”.

“A dor persistiu forte por mais de um mês”

Helena Gassen foi picada, há mais de 60 dias, por uma aranha marrom. Mesmo seguindo à risca os tratamentos indicados pelo médico a picada necrosou. O tratamento da paciente se dá com antibióticos e outros medicamentos complementares, a exemplo de pomadas. Helena explica que mal sentiu a picada, porém em poucas horas a situação passou para dor no local, coceira e arrepios pelo corpo. Ela afirma que o sofrimento pós picada da aranha marrom é grande. “Foram noites sem dormir de tanta dor, que persistiu forte por mais de um mês. Felizmente acalmou, porém a cicatrização é lenta devido a profundidade da ferida, inclusive, cheguei a pensar que isso não iria cicatrizar mais”.

Cuidados

O Corpo de Bombeiros Militares de Santa Catarina sugere as seguintes medidas preventivas para evitar se deparar com espécies peçonhentas:

  • Evite o acúmulo de lixo e entulho;
  • Mantenha jardins e terrenos baldios limpos;
  • Apare o gramado e recolha folhas caídas;
  • Coloque lixo em sacos plásticos e feche-o corretamente;
  • Vede aberturas da casa que podem facilitar o acesso dos animais, como soleiras de portas e ralos;
  • Examine roupas, calçados, toalhas e roupas de cama antes de usá-las;
  • Evite andar descalço;
  • Use luvas e botas de proteção ao trabalhar com materiais estocados (ex: lenha)

PRIMEIROS SOCORROS

  • Lave o local com água;
  • Mantenha a vítima em repouso absoluto (não a faça caminhar, correr, etc);
  • Remova anéis, pulseiras, braceletes e outros adornos;
  • Eleve o local afetado;
  • Se possível, leve o animal para identificação (mesmo morto);
  • Leve a vítima ao pronto-socorro imediatamente.

NÃO FAÇA

  • Não amarre o membro ou faça torniquete;
  • Não corte o local da picada;
  • Não chupe o local da picada; e
  • Não coloque substâncias no local da picada.

Vale ressaltar que é sempre importante procurar atendimento médico imediato após picada de animal peçonhento.

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