CÂNCER DE MAMA – Uma luta árdua com sabor de vitória

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O câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos, também é o câncer que ocupa a primeira posição em mortalidade entre as mulheres no Brasil, com taxa de mortalidade ajustada por idade, pela população mundial, para 2021, de 11,71/100 mil (18.139 óbitos). As maiores taxas de incidência e de mortalidade estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Fonte: INCA

Na edição da semana passada, dia, (19/10) publicamos uma entrevista que trata exatamente deste tema, o câncer de mama.  Queremos agradecer a Adriane Schmitt, 44 anos, moradora de Itapiranga acometida por um câncer de mama. Adriane se dispôs a falar sobre todas as suas lutas, angústias e vitórias durante o tratamento tão árduo e devastador.  A muitos anos atrás, um diagnóstico de câncer era quase uma sentença de morte, mas, felizmente com o avanço da medicina, hoje possibilita a cura na maioria dos casos. A seguir a entrevista feita com a Adriane.

Expressão: Como e quando descobriu a doença?

Adriane – Descobri o câncer na Páscoa de 2022. Foi tudo muito rápido, ligeiro mesmo. Eu tive a apresentação de um carocinho, tipo um grão de feijão em uma das mamas, e nem fui eu que descobri, mesmo fazendo o toque sempre após o banho, eu nunca percebi nada, mas foi o meu marido que viu, ele achou muito diferente, achou que eu tinha me machucado em algum lugar, pois aparentava uma cor diferente.

Expressão: Tens o hábito de fazer exames de rotina, preventivo?

Adriane – Tenho o hábito de fazer exames de rotina, faço todos os anos, as vezes até duas vezes ao ano, tanto de sangue quanto preventivo.

 Expressão: Quais foram os primeiros passos para detectar e confirmar a doença? Chegou a passar por cirurgia?

Adriane – O primeiro passo foi procurar um doutor, que solicitou uma ultrassonografia, aonde no resultado já apareceu uma anormalidade. Então procurei um especialista que pediu mais exames, fiz vários exames de sangue e uma ressonância magnética, e após três biópsias ficou constatado se tratar de um câncer maligno na mama.

Expressão: Qual foi o tratamento inicial?

Adriane – Após o diagnóstico passei por duas cirurgias, uma em julho de 2022, e em 22 de novembro, passei por mais uma cirurgia, aonde foi feita a retirada da mama. Tive que esperar para cicatrizar bem, então iniciei a quimioterapia, essa parte do tratamento foi muito difícil, muito, muito difícil.

Expressão: O tratamento causou efeitos colaterais?

Adriane – Eu tive muitos efeitos colaterais, eu passava dias deitada, porque não tive forças pra levantar, a quimioterapia mexe muito com a cabeça, com o corpo, ela não te dá sossego, aquela medicação vai trabalhando dentro do teu corpo. Pra mim no dia que eu fazia quimio era tranquilo, mas dois, três dias após começavam as náuseas. Eu tive muito vômito, diarreia, perdi todo o sabor da boca, minha boca descascava toda, foi assim muito difícil.

Expressão: Em qual cidade(hospital) estás sendo tratada?

Adriane – Faço tratamento em São Miguel do Oeste, no Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, (setor de oncologia).

Expressão: A quanto tempo está em tratamento, ou já passou deste processo?

Adriane – Agora eu continuo me tratando,um tratamento muito bom, a gente tem um tratamento ótimo, porque lá, as meninas, elas são treinadas para receber a gente, é um tratamento excelente. Eu continuo a medicação via oral, a quimioterapia injetável eu já passei, vou continuar esse tratamento ainda por muito tempo.

Expressão: Qual o período mais penoso?

Adriane – Eu tive três episódios que me marcaram muito, que eu sofri muito, foi quando eu descobri. Na verdade a doutora não acreditava que eu tinha um carcinoma, ela achava que se tratava de um fibromioma e que ele iria desaparecer, mas não foi isso, com a terceira biópsia veio a constatação que era um carcinoma.Eu fui pra São Miguel sozinha, pois a doutora só queria conversar comigo, e eu achei que seria uma conversa normal e eu iria voltar a trabalhar tranquila, e não foi isto que aconteceu. Eu sei que quando cheguei lá, ela me disse que não tinha uma notícia muito boa pra me dar e na verdade, nem ela podia acreditar o que tinha vindo no resultado do exame. EU DESABEI, EU DESABEI, EU SEI QUE CHOREI MUITO, FOI MUITO, MUITO DIFÍCIL ACEITAR MAS….FOI.

O segundo período difícil foi quando eu perdi os cabelos. O meu marido cortou o meu cabelo, e até então estava tudo normal, ele cortou com uma maquininha e ficou bem curtinho, tranquilo, mas quando eu caí na realidade, começou a cair o fio, eu fiquei sem um fio de cabelo, aí me deu um gelo, eu me desesperei, eu me olhava no espelho e não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo. Isto foi uma fase muito difícil, te olhar no espelho e ver que você não tem mais cabelo, que você é outra pessoa. [p1] 

E a terceira fase difícil foi as últimas seções de quimioterapia injetável, eu achei que não iria passar, porque eu fiquei tão fraca, aquilo me fazia tanto mal, muito mal mesmo, eu lembro que a última pra mim foi uma alegria muito grande. Toda vez que eu fui fazer quimio, eu marcava no calendário, a primeira a segunda, é a terceira, então assim, toda vez que eu fazia a quimio, eu ia lá fazer um x no calendário, há menos uma, menos uma, até que eu passei tudo.

Expressão: Considerações finais

Adriane – Só tenho que agradecer muito mesmo, ao meu marido RoqueSchneider, que me acompanhou sempre todo esse tempo, me dando apoio, ele foi o meu enfermeiro, ele me cuidou muito, ele fazia as injeções, me dava a medicação, fazia os curativos no pós operatório, foi ele que me cuidou, então ele foi excepcional. O meu filho, a minha família, a minha família me deu toda essa força.

As amizades que a gente faz neste percurso, porque eu conheci muita gente, e assim, a gente vê que nosso problema não é nada perto do problema de outras pessoas. Eu vi pessoas muito, muito piores que eu, pessoas que vinham lá de ambulância pra fazer quimioterapia, pessoas que não tinham nem forças, precisavam de sangue pra daí começar a fazer quimioterapia. Então, eu fiz muitas amizades neste tempo que estou em tratamento, e tudo é marcante demais.

Gostaria de deixar um recado, um alerta: se apalpem, se toquem, é você mulher que na maioria das vezes vai descobrir o que está acontecendo em você, e façam os exames de rotina, façam acompanhamento, façam a mamografia que isto é o principal. Descobrir com antecedência, descobrir no começo, é o primeiro passo para tudo dar certo, e não tenham medo, jamais ter medo, Deus estava comigo todo este tempo.


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