quarta-feira, maio 13, 2026
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O desenvolvimento do novo Paraguai

O mundo econômico e o político têm uma inter-relação nem sempre compreendida pela população de modo geral, e o preconceito sobre determinados conceitos acaba prevalecendo como se fosse verdade. 

O exemplo mais próximo de nós é o caso do Paraguai. Um importante contingente de pessoas avalia como produto do Paraguai algo negativo, de baixa qualidade e depreciativo. Tanto é verdade que, quando se quer colocar dúvida sobre algum objeto ou mercadoria, se pergunta: “Isso não é do Paraguai?”. Talvez porque muitos brasileiros se refiram ao mercado popular e desordenado na região fronteiriça de Ciudad del Este, na divisa com Foz do Iguaçu, no Brasil. 

Mas, ao entrar mais adiante dessa cidade preferida das pessoas que gostam de comprar coisas baratas, independentemente da qualidade e da garantia de procedência, já se nota outro Paraguai: o agronegócio em franco desenvolvimento tecnológico, as indústrias se estabelecendo, o padrão de vida em ascensão para quem trabalha e investe e o país se desenvolvendo rapidamente. 

Em recente visita de uma delegação de técnicos e dirigentes das cooperativas do grupo Fecoagro ao país vizinho, foi constatado in loco o avanço tecnológico na indústria de defensivos agrícolas. A empresa Tecnomyl, controlada por brasileiros originários do Norte do Paraná, lidera a produção e comercialização de insumos agrícolas de alta qualidade, sendo inclusive produtora de itens para concorrentes multinacionais de renome mundial. 

Outra empresa do mesmo grupo, a Agrofértil, na outra ponta da cadeia do agro, lidera a comercialização de cereais, sendo inclusive a principal exportadora de milho para o estado de SC. Trata-se de competência e tecnologia na veia da economia paraguaia. E, pelos relatos das empresas visitadas, todos os segmentos empresariais seguem no mesmo ritmo de desenvolvimento. 

O Paraguai, por ser um país de extensão territorial pequena se comparado ao Brasil, não tem muito mais áreas cultiváveis para expandir, mas tem espaço para aumentar a produtividade com ampliação de tecnologias. Persistindo esse acelerado desenvolvimento, brevemente deverá ampliar ainda mais o uso de tecnologia e, consequentemente, a produtividade. 

Bom também para SC, que necessita de milho e está mais próxima desse mercado, reduzindo o custo logístico. 

E a que se atribui essa mudança de conceitos e comportamento do Paraguai? Ironicamente, ao avanço dos brasileiros em território paraguaio. Na produção agropecuária, segundo informações recolhidas na viagem, cerca de 90% dos produtores rurais do Paraguai são brasileiros. Recentemente, outras áreas econômicas do Brasil também estão se transferindo para lá, devido aos baixos custos tributários e à reduzida burocracia para se instalar e produzir. 

Os brasileiros da fronteira costumam dizer que o Paraguai está crescendo graças à atual política econômica brasileira. O atual governo federal tem sido chamado, ironicamente, de “o melhor governante do Paraguai”, pelas ações que acabam expulsando empresários das atividades econômicas no Brasil, devido aos altos custos tributários e de juros. 

A política de gastos sociais sem contrapartida econômica tende a aumentar ainda mais a evasão empresarial do Brasil para o país vizinho. Também se usa a afirmativa de que, no agro, o melhor governo do Paraguai foi o do ex-governador do Paraná, Roberto Requião, que proibiu a exportação de soja pelo Porto de Paranaguá, estimulando o país vizinho a criar novas alternativas logísticas. Hoje, os grãos paraguaios são escoados pelos rios Paraguai e Paraná até os portos argentinos e, de lá, para o mundo. 

O que se espera no Brasil é que essa política de dificultar o setor produtivo mude. Do contrário, ficaremos cada vez mais pobres e fortalecendo economicamente os países vizinhos. Pense nisso. 

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