Doador há mais de 20 anos, Rudi Helfer incentiva os jovens a seguirem o seu exemplo e de tantos outros doadores

No dia 25 de novembro é comemorado o Dia Nacional do Doador de Sangue. Para marcar a data, na edição desta semana teremos uma reportagem especial com doadores de sangue do município de Iporã do Oeste e também com a responsável no Hemosc de Chapecó.

Atualmente o município de Iporã do Oeste conta com uma lista de 240 doadores. A doação é agendada uma vez por mês no Hemosc de Chapecó, com a participação de 7 a 14 doadores. O município disponibiliza o transporte e também o almoço aos doadores.

Uma necessidade familiar motivou a moradora de linha Taquarussu, Marli Kottschalk, a se tornar doadora de sangue. Há cerca de 6 anos Marli se desloca duas vezes por ano ao Hemosc para fazer a doação.

Portadora do tipo sanguíneo A positivo, ela conta que decidiu doar sangue porque quando seu filho era bebê, possuía anemia, e seu pai também necessitou de transfusões de sangue. Estas necessidades a fizeram pensar na importância da doação. Para Marli é gratificante e prazeroso poder contribuir como doadora de sangue, fazer o bem ao próximo, e considera o gesto uma prova de amor.

Uma situação familiar semelhante, da mesma forma, motivou o doador Rudi Helfer, 63 anos, de linha São Lourenço, a se tornar um contribuidor do Hemosc.

Doador há mais de 20 anos, Rudi conta que as duas primeiras doações de sangue foram para o seu pai, quando ele estava com câncer, o que o motivou a continuar fazendo doações, também para outras pessoas. Em todo esse período, Rudi já se deslocou em torno de 50 vezes ao Hemosc para fazer as doações. “Os jovens deveriam se conscientizar a continuar o que eu e tantos outros doadores estão fazendo”, enfatiza.

Portador do tipo sanguíneo O negativo, Rudi já foi inclusive homenageado pelos longos anos de contribuição com os bancos de sangue do Hemosc.

Quando Laini Bohn Jantsch, hoje com 63 anos, trabalhava no hospital, isso na década de 1980, ela se sensibilizava com a dor da família ao ver o paciente precisando de sangue, e por muitas vezes realizou doações quando o seu sangue era compatível com o da pessoa que estava internada.

Laini é portadora do tipo sanguíneo A negativo. Para ela, doar sangue representa muito, pois poder ajudar quem precisa e aliviar a dor de alguém é gratificante. A doadora afirma que a doação de sangue iniciou por uma necessidade de ajudar os pacientes do hospital, mas continuou doando porque isso lhe faz bem. Ela diz que pratica atividades físicas e tem uma boa saúde para ajudar o próximo.

“Me sinto privilegiada em poder ajudar o próximo. Minha maior alegria é ver o outro bem. Porque se alguém precisa de sangue e eu posso ser a doadora, sempre vou estar doando”, enaltece Laini.

Laini recorda de um episódio, quando trabalhava no hospital, em que uma mulher teve hemorragia interna após o parto, e devido a compatibilidade dos tipos sanguíneos, ela pode ser a doadora que salvou a vida da paciente. A gratidão da mulher que recebeu o sangue foi tão grande que ela até quis pagar ou presentear Laini pela doação feita.

Hemosc possui atendimento diário, preferencialmente com agendamento das doações

Conforme Eliana Ribicki, coordenadora de captação de doadores do HEMOSC de Chapecó, a pandemia trouxe uma realidade diferente para o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina.

Ela explica que antes da pandemia era possível manter uma estabilidade nos estoques de sangue, graças ao envolvimento de doadores de municípios de toda a região. Com a pandemia, Eliana cita dificuldades na regularidade das doações, e consequentemente em manter os estoques das bolsas de sangue.

Entre os tipos sanguíneos com maior saída e demanda, a coordenadora destaca os grupos do tipo A, variando de positivo e negativo. A demanda varia diariamente, considerando o tipo de sangue mais solicitado a cada dia. Para saber a tipagem mais solicitada, Eliana orienta os interessados a acessar o site da Hemosc, www.hemosc.org.br, onde esta demanda estará especificada.

O atendimento do Hemosc é de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h, sem fechar ao meio dia. De preferência, a doação deve ser agendada, tanto em grupos como de forma individual.

A coordenadora explica que a seleção dos doadores, de quem está apto a doar, já inicia nos municípios com a triagem pelos profissionais, considerando os critérios para doação.

Quando o doador chega no Hemosc, ainda passa por um processo de entrevista, triagem onde é feita a aferição de temperatura, pressão arterial, peso e coleta de sangue e consulta.

Uma amostra do sangue que é coletada é enviada para laboratório, e somente será distribuído se nenhuma irregularidade for constatada no teste. A distribuição é feita com base na necessidade de cada hospital atendido. 

Conforme a coordenadora, este é um processo longo porque no laboratório o sangue é separado nos seus diferentes componentes: hemácias, plaquetas e plasma. Cada bolsa de sangue é analisada e armazenada de forma diferente, e também com validades diferentes das demais.

Eliana comenta que a média de doadores atendidos pelo Hemosc de Chapecó por mês é de 1.200 a 1.500 pessoas. Ela lembra que por ser algo muito complexo e burocrático o Hemosc não consegue deslocar a sua estrutura para outros locais, e não há perspectiva por parte do Estado, da instalação de outro ponto de coleta.

Principais requisitos para doação

Para ser doador de sangue é necessário ter idade entre 16 e 67 anos, peso superior a 50 quilos, jovens com 16 e 17 anos devem estar acompanhados de um responsável, a idade máxima para a primeira doação é de 60 anos, apresentar documento de identificação com foto, estar bem de saúde e possuir hábitos de vida saudável e estar bem alimentado para realizar a doação.

Quando não doar sangue Entre as restrições para doar sangue estão; ter feito cirurgia recentemente, estar em jejum prolongado ou ter ingerido alimentos gordurosos nas últimas quatro horas, ter tomado bebida alcoólica há menos de 12 horas, ter feito endoscopia nos últimos seis meses e ter feito tatuagem ou piercing nos últimos seis meses.

Marli Kottschalk realiza em média duas doações por ano para ajudar as pessoas que necessitam de sangue
Sensibilizada pela dor de pacientes no hospital onde trabalhava, Laini Bohn Jantsch se tornou doadora