Na definição do Movimento Down: “Estimular é ensinar, motivar, aproveitar objetos e situações e transformando-os em conhecimento e aprendizagem. É levar a criança, através da brincadeira, a aprender sempre mais.”

Este também é um dos principais propósitos do Programa de Estimulação Precoce, desenvolvido no CAESP Caminho de Luz de Iporã do Oeste há cerca de dez anos.

De acordo com a diretora do CAESP, Eliane Brugnerotto, geralmente são as escolas que identificam algum atraso na criança, e orientam a família a buscar atendimento médico. Na consulta as famílias solicitam a avaliação da equipe técnica do CAESP, e são inseridas no SISReg, que é a fila do SUS, onde aguardam pelo atendimento.

Para receber o atendimento da estimulação a criança deve apresentar atrasos em ao menos duas áreas do desenvolvimento neuropsicomotor: cognitivo, linguagem ou motor. Esse diagnóstico é feito quando as crianças passam pela avaliação da equipe técnica do CAESP, composta por fonoaudióloga, psicóloga, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta.

E ainda, depois que a equipe técnica faz a avaliação, esse diagnóstico é encaminhado para a Fundação Catarinense de Educação Especial, que é a instituição que dará o aval para o início do atendimento da criança no programa.

Se enquadram no atendimento do Programa de Estimulação Precoce as crianças de 0 a menores de 6 anos. Quando atingem esta idade, a diretora esclarece que para permanecerem na instituição, o acordo de cooperação que a escola especial possui com a Fundação Catarinense de Educação Especial prevê que a criança possua um laudo diagnóstico com CID F710, que é a deficiência intelectual moderada. Caso contrário, a criança é desligada do programa de estimulação e a família é orientada a procurar a escola regular, e se necessário, também dar continuidade ao acompanhamento profissional.

Atendimento precoce traz resultados significativos na prevenção de agravos

Na maioria dos casos encaminhados para a estimulação precoce, Eliane Brugnerotto afirma que as crianças recebem alta antes de completarem a idade máxima do programa, de 6 anos incompletos.

“É importante que a sociedade veja o CAESP não como um local para atender pessoas com deficiência, mas sim, como um local que também ajuda as crianças a terem um bom desenvolvimento. Se não percebermos o atraso no início, as crianças vão chegar na idade da alfabetização, aos seis anos, e irão apresentar bastante dificuldade e nesse ponto, o serviço de estimulação não consegue mais ajudar. Em caso de dúvidas, ficamos à disposição das famílias”, ressalta a diretora.

Aliado ao Programa de Estimulação Precoce, o CAESP desenvolve o Programa Prevenir. Por meio deste programa é realizado um trabalho com escolas e comunidade em geral, de prevenção as deficiências, principalmente em agosto, conhecido como Agosto Laranja, mês de prevenção as deficiências.

“Temos casos de famílias, em que os pais não esperam a criança chegar na escola para perceber a dificuldade, e já procuram atendimento especializado para prevenir qualquer agravamento. Quando chegam a escola especial é feito o encaminhamento da família ao posto de saúde para fazer a regulação do SISReg”.

Conforme a fisioterapeuta, Aline Spaniol, quando a criança chega ao CAESP, esta avaliação multiprofissional é feita com o acompanhamento dos familiares. Ela explica que são identificadas as necessidades individuais de cada criança, e se enquadrando em ao menos dois atendimentos especializados, ela é inserida no Programa de Estimulação Precoce, e direcionada aos profissionais em que tiver necessidade.

A fisioterapeuta enaltece o que também já foi afirmado pela diretora Eliane, de que muitas crianças recebem alta antes de atingirem a idade máxima do programa de estimulação, devido aos bons resultados que apresentam. Ela complementa que bebês prematuros recebem este atendimento como forma de prevenir algum problema, já que a prematuridade é um fator de risco, e para que não manifestem atrasos no decorrer do seu desenvolvimento.

Programa de Estimulação Precoce contempla sessões semanais com atendimento individual

A professora Cecília Mallmann atua no CAESP de Iporã do Oeste, diretamente no atendimento as crianças da estimulação precoce, há cerca de dois anos, mas possui experiência na área de mais de seis anos.

Cecília explica que os principais objetivos da estimulação cognitiva é promover a estimulação sensorial, e através desta estimulação se promove o aperfeiçoamento da atenção, da memória, autonomia, comunicação, iniciativa, autorregulação, planejamento e resolução dos problemas. O atendimento é feito com foco no melhor desenvolvimento futuro das crianças, evitando qualquer agravamento.

Para que estes objetivos sejam alcançados, a professora esclarece que a maior forma de interação e intervenção são estratégias lúdicas usadas no dia a dia com as crianças, como a contação de histórias, músicas, cantigas, brincadeiras livres e dirigidas, e o foco são os jogos pedagógicos confeccionados na própria escola pelos próprios profissionais, utilizando materiais recicláveis.

A avaliação do desenvolvimento das crianças é feita com base no Guia Portage. Cecília destaca que este guia é um instrumento que contempla 580 habilidades que a criança deve apresentar e atingir em cada faixa etária, dos 0 aos 6 anos. O guia é dividido nas áreas da cognição, linguagem, autocuidados, desenvolvimento motor e socialização. Além disso, há um gráfico individual para cada criança, em que a professora sinaliza a habilidade que cada aluno atinge no decorrer dos atendimentos.

Todo o atendimento é individual, com sessões semanais, tendo o acompanhamento dos profissionais da equipe técnica, conforme a necessidade que cada criança apresenta. A sala onde os atendimentos são feitos é decorada, com brinquedos e jogos, conforme a faixa etária do aluno.

A professora diz que os resultados dependem muita da dificuldade que cada criança apresenta, mas de forma em geral, os avanços são significativos. Ela lembra que o auxílio dos pais, para estimular as crianças também em casa, é fundamental para melhorar os resultados.