O Dia do Médico Veterinário ou Dia do Veterinário é comemorado anualmente em 9 de setembro. A data foi instituída pois foi em 9 de setembro de 1933 que foi assinado o decreto que regularizou a profissão e o ensino da medicina veterinária no Brasil. A data comemorativa visa celebrar os profissionais responsáveis por cuidar da saúde dos animais, tanto bichinhos de estimação, como também animais selvagens. Além de cuidar dos animais, os veterinários também ajudam a diminuir a propagação de doenças transmitidas por animais para os seres humanos. Em outras palavras, além da saúde dos animais, o médico veterinário auxilia na preservação da saúde da população humana.

O experiente médico veterinário Domicílio José Stefanello tem mais de 40 anos de trabalho no setor público do município de Itapiranga. Na sessão da Câmara de Vereadores da última segunda-feira (13), Domicílio foi convidado pelo vereador Valdair, o Boca, para fazer o uso da Tribuna Livre e explanar sobre sua trajetória profissional no município.

Formado médico veterinário em 1978, Domicílio fez estágio em Itapiranga e foi convidado pelo prefeito da época, Ottmar José Schneiders, para fazer um estudo de viabilidade de implantação de integração de suínos e também a implantação de uma bacia leiteira. Domicilio foi um dos profissionais que ajudou na implantação da bacia leiteira no município de Itapiranga.

No uso da palavra, o veterinário contou que quando chegou a Itapiranga, as dificuldades eram inúmeras. “A comunicação era feita por bilhete, pelo ônibus, através do leiteiro. Quando tínhamos que informar onde e quando aconteciam as reuniões, fazíamos via avisos no rádio. Tínhamos uma grande deficiência de comunicação. Era difícil.  Até nos domingos de manhã se aproveitava a missa para tratar de assuntos importantes e relevantes para a construção da bacia leiteira”.

De acordo com o veterinário, na época o conselho de desenvolvimento da Agricultura notou que precisava se dar uma ocupação para certas áreas de terra e também se notou que o produtor precisava de mais uma opção de renda, além da avicultura e da suinocultura, surgindo assim a ideia da formação de uma bacia leiteira.

O veterinário conta que, na época, a energia elétrica era um fator limitante. “Se recolhia leite e não se tinha como guardar. A situação era complicada, mas os primeiros e difíceis passos foram dados na época e hoje posso dizer que ajudei a construir a bacia leiteira em toda a grande Itapiranga”, afirma.

Assim que iniciou os trabalhos no município, Domicílio, realizou um projeto para ver como iria ser trabalhada a bovinocultura de leite, “Eu sabia que precisaria de uma boa alimentação. Nós utilizamos as sobras da agricultura, a cana, mandioca, abóbora, folha de milho, pendão de milho, tudo isso era utilizado para tratar os animais, na época. A região também carecia de uma genética melhor. Tínhamos vacas Gir e Nelore. É difícil trabalhar com leite tendo só esses tipos de animais. A secretaria da Agricultura do Estado tinha os chamados “touros comunitários”. Era colocado um touro para 20 ou 30 produtores, porém, deste modo vieram as doenças e quase foi destruída toda a iniciativa que tivemos. Começamos então a fazer um programa, da secretaria da Agricultora, de inseminação artificial. Se fazia, por ano, 250 inseminações. Atualmente se fazem mais 30 mil inseminações”.

De acordo com o profissional, a bovinocultura de leite ganhou destaque porque trabalhou-se a principal máquina de produção de leite, a vaca. “Além disso, antigamente a estrutura, a unidade de produção, era toda manual, e agora é praticamente toda automatizada. A tecnologia chegou, o que também auxiliou no destaque da bovinocultura de leite. Também, nossos produtores trabalham e fazem com que a produção de leite seja cada vez mais próspera”.

Domicilio relata que nas duas linhas em que foi implantada a bacia leiteria, na época se recolhia 300 litros de leite por dia, “Hoje, nessa mesma linha, são produzidos 200 mil litros por dia”.

Para o profissional, hoje a renda do município de Itapiranga no setor de leite é excelente. “Nós tivemos, no ano passado, pelo movimento no setor de blocos, 75 milhões de litros vendidos. Foram aproximadamente 130 milhões em dinheiro. Quando se chega na quinzena de pagamento do leite, vocês vão até as agências bancárias e vejam a alegria do produtor, dos nossos agricultores. A nossa indústria, comércio e prestadores de serviços que recebem na quinzena do mês, é porque o dinheiro provém da agricultura leiteira”, afirma.  

O veterinário enaltece que “Tivemos dificuldades na implantação e elaboração das rotas das linhas de leite, mas passo a passo, com os comerciantes, industrias, fomos fazendo a nossa bacia leiteira um negócio promissor, e o progresso veio. Hoje são mais de 15 industrias que compram o leite aqui na região de Itapiranga. Posso garantir que temos um produto de excelente qualidade”.

 Ao ser questionado sobre sua aposentadoria, o profissional afirmou que no estatuto do servidor público consta que o servidor pode continuar na atividade até os seus 75 anos. “Isso significa que eu tenho mais alguns anos, e eu não terminei ainda minha missão. Pretendo deixá-la pronta para os sucessores poder dar continuidade. Até lá tenho um projeto importante, tenho algumas pesquisas importantes que eu quero finalizar e ainda me sinto capaz. Ainda me sinto jovem apesar de toda trajetória que tenho. Também, acredito que seja curiosidade, eu nasci em casa, por isso do meu nome, Domicílio”, enalteceu.

Encerando sua fala, Domicílio frisou que “Para Itapiranga eu fui uma pessoa que fez muito. Ajudei a comunidade e a comunidade cresceu. Sempre estive presente, sempre estava lá para fazer. Eu posso bater no peito e dizer ‘eu ajudei Itapiranga’. Se todo cidadão fizesse como eu faço, valoriza o trabalho que faz, pois tenho somente 1 atestado nestes 42 anos. Sempre honrei o meu trabalho. Foram em torno de 15 prefeitos, que sempre respeitei, pois sou peão. Sei ser um cidadão coerente, trabalhar, valorizar a comunidade, valorizar quem valoriza a gente e me orgulho de ser servidor público. Tenho 68 anos e com toda essa idade ainda tenho uma credencial para continuar no meu trabalho. Não tenho preguiça. Agradeço pela oportunidade de ter passado por aqui e em breves palavras deixar a minha saudação para todos os colegas veterinários que trabalham na iniciativa pública e privada, que engrandecem nossa nobre profissão”.

Em 42 anos de serviços, o veterinário tem mais de 106 mil procedimentos realizados, 300 reuniões em 62 comunidades na grande Itapiranga e depois na região de São João do Oeste, mais de 3 milhões e 500 mil quilômetros rodados em mais de 10 veículos utilizados.

O vereador Valdair também fez o uso da palavra e destacou que “Fiz questão de convidar o Domicilio, do qual sou colega e trabalhamos juntos 4 anos, para dar um pouco de atenção a esta data alusiva do dia do veterinário. Tudo isso que o Domicilio contou, eu consegui viver junto com ele nesses 4 anos. O Domicílio é uma pessoa muito focada e todos esses dados ele tem guardado por ordem, em livros. […]Gostaria de citar também o Hélio Bortoluzzi e o José Antônio Saldanha, que são pessoas que fizeram parte da história da medicina veterinária e de toda essa formação de Itapiranga. Em nome deles parabenizar, atrasadamente, mas ainda em tempo, todos os médicos veterinários da nossa região. Hoje várias empresas têm seus médicos veterinários, não há somente mais no setor público, mas todos são importantes, mas a semente, a raiz é o Domicilio, um exemplo de pessoa, que merece reconhecimento e eu gostaria de parabenizar”.

Assim como o vereador Valdair, os demais vereadores também parabenizaram Domicílio pela passagem do Dia do Veterinário e agradeceram o profissional pelos serviços prestados ao município de Itapiranga.