Caros leitores, até este ponto relatei apenas as eleições passadas de Iporã do Oeste, Itapiranga e Tunápolis. Isto porque as emancipações de Santa Helena e São João do Oeste ocorreram somente a partir de 1991, para a segunda, e 1992 para a primeira. Desta forma, no ano de 1992 a nossa região de cobertura presenciou eleições municipais em cada uma das 5 cidades.

É claro que em todas já era presente a experiência da escolha de seus representantes durante o período em que pertenciam a outros municípios. Mas, desta vez, ao menos em Santa Helena e São João do Oeste, se tratava da primeira experiência enquanto municípios independentes. O que transformava tudo em um novo cenário, apesar das heranças políticas do período passado.

Apesar disso, por questões de espaço, os pleitos de 1992 serão divididos em duas edições deste jornal. Desta forma, hoje vou apresentar os páreos de 1992 nos jovens municípios de Santa Helena e São João do Oeste

Santa Helena – A aposta nos vereadores

A disputa para eleger o primeiro prefeito da história de Santa Helena esteve profundamente relacionada com as eleições de Descanso em 1988, ao menos na parte da coligação formada pelo Partido Democrático Social (PDS), o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido da Frente Liberal (PFL). Esta parceria buscava eleger Moacir Lazarotto (PDS), vereador eleito por Descanso no páreo citado, como primeiro prefeito de Santa Helena. Para complementar a chapa, a coligação também apostava em Florino Oro, outro vereador eleito no páreo de 1988.

Estavam por fora deste cenário os candidatos da coligação entre o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e o Partido dos Trabalhadores (PT). A dupla formada por Lauri João Marconatto e Durvalino Comin buscava, entre os santa-helenenses, uma maior popularidade do que os ex-vereadores por Descanso. O que não aconteceu.

Certamente os 71 votos brancos ou nulos, além das 184 abstenções, poderiam ter decidido um futuro diferente para Santa Helena. Mas o que aconteceu foi que Lazarotto (PDS) recebeu 880 votos e foi eleito como o primeiro prefeito santa-helenense. Marconatto (PMDB), ficou menos de uma centena de votos atrás, com os 796 eleitores que confiaram no seu nome.

Fora da acirrada escolha de prefeitos, a disputa pelas vagas na primeira legislatura da Câmara de Vereadores de Santa Helena foram um cenário de poucos votos e muitos candidatos.

O PDS foi o partido com o maior número de tentativas. Seus 16 representantes receberam 536 votos, suficientes para eleger Elias Pancotte, Zelindo Girardi e Santos Lazarotto. Além do PDS, seu companheiro de coligação, o PDT, apostou em 9 candidatos, elegendo, com 307 votos totais, Jair Rizzatto (um dos mais votados, com 80 votos), e José Moral. Por fim, o outro membro da coligação, o PFL, apostou em apenas 2 representantes, não logrando eleger nenhum (com seus míseros 34 votos).

Pela parte da dupla de oposição, o PMDB e o PT, vieram os outros 20 candidatos a vereador. O PMDB, com seus 13 representantes, recebeu 488 votos, suficientes para eleger apenas Augusto Marconatto Neto (ex-vereador de Descanso e o outro mais votado do páreo, com 80 votos) e Arno Ely. O PT, por sua vez, e com os restantes 7 candidatos, recebeu 311 votos, elegendo Valdir Casanova e Alberto Antunes.

São João do Oeste – O governo de consenso

Muito diferente do cenário fragmentado de Santa Helena, São João do Oeste viu surgir a aposta em um candidato vindo do consenso partidário.

A figura escolhida para encabeçar o projeto era a do experiente Ottmar José Schneiders do PSD. Os que acompanham esta coluna sabem que Ottmar foi o prefeito nomeado de Itapiranga entre 1975 e 1982, além de ter sido candidato a deputado estadual em 1982 e 1988, e ter buscado sem sucesso retornar para o cargo de prefeito de Itapiranga em 1985. Em todas as tentativas Ottmar obteve expressivas votações. Junto a ele, iria como o vice Egon Stülp.

Apesar de representar uma candidatura de consenso, ela deu força à coligação do PDS, PDT e o PFL para a busca por vagas na Câmara dos Vereadores, onde de fato ocorreu a disputa eleitoral.

O PDS somou 1.099 votos em sua sigla e seus 6 candidatos, capazes de eleger Astério Inácio Klunk (o mais votado, com 370 votos), José Guido Steffen e Otávio Groth. O PDT, por sua vez, recebeu 582 votos e elegeu Rudi Aloisio Rasch e Celestino Meurer, seus únicos candidatos no pleito.

Mesmo fora da coligação, o PMDB demonstrou sua força no município: seus cinco candidatos e sua sigla receberam 1.181 votos, que elegeram Pedro Roberto Soder, Elton Geraldo Gauer e Roque Wehner.

A última cadeira ficou com o PT, que, com seus cinco candidatos no pleito, e fora da coligação principal, recebeu 662 votos, que elegeram Ilse Schneiders (única mulher eleita e que havia sido vereadora por Itapiranga, na legislatura de 1989).

O partido sem sorte no pleito foi o PFL, o único da coligação e de todos os demais partidos a não eleger um vereador sequer, apesar de seus 116 votos recebidos (pela sigla e por seu candidato único)

Mesmo com o “consenso” na escolha de um só candidato, a população de São João do Oeste ainda teve que dar seu aval simbólico a partir dos votos. Parece estranha a eleição de um só candidato, mas a democracia assim o exige. No fim, Ottmar recebeu 3.154 votos, e outros 683 sãojoanenses resolveram demonstrar que preferiam votar em branco ou nulo ao invés de optar pela única alternativa a prefeito.

Como primeiro prefeito de São João do Oeste, Ottmar pôde ter ao seu lado um consenso inédito e nunca repetido.

Iporã do Oeste – A rejeição do governo anterior

O município tinha pela frente o segundo páreo de sua vida emancipada. Neste, Roque Afonso Colling, o então vice-prefeito, buscou manter o PMDB no poder. A ele se somava, enquanto candidato a vice, Raimundo Radavelli. Todos os demais partidos de Iporã do Oeste não apoiaram esta candidatura.

Pelo contrário, o PT se manteve oficialmente neutro, enquanto que o PDT, PDS e PFL se uniram em torno da candidatura da dupla Gilberto Antônio Niederle e Arlindo Luiz Kossmann. A força desta união fez com que parte significativa dos 5.307 eleitores de Iporã do Oeste não apostassem na manutenção do PMDB na prefeitura.

Assim, a coligação encabeçada pelo PDT elegeu Gilberto Niederle com 56,50% dos votos válidos (2.642). Roque Colling (PMDB) recebeu os demais 2.034 votos válidos (43,49%). Outros 631 iporã-oestinos deixaram de participar da decisão, seja por abstenções ou por votos brancos ou nulos.

A coligação vitoriosa não teve o mesmo sucesso na Câmara Municipal.

Dos 8 candidatos do PDS, foram eleitos apenas Natalio Skrsypcsak (reeleito) e Mario Heck, a partir do total de 889 votos recebidos pelo partido. O PDT, também com 8 candidatos e apesar dos 820 votos recebidos, elegeu apenas Mario Darci Ribeiro de Freitas. Por fim, o PFL, somente com 4 representantes na disputa, recebeu 440 votos e elegeu apenas Milton Berti.

Com relação ao derrotado no páreo para a Prefeitura, o PMDB teve um maior sucesso na disputa de vagas para a Câmara Municipal. Seus 14 candidatos receberam 1.913 votos, o que elegeu Pedro Artur Ammon (reeleito e também o mais votado, com 290 votos), Bruno Maldaner (reeleito), Geraldo Roque Brand e Nereu José Barth.

O PT fechou a lista. Com 7 candidatos e tendo recebido apenas 629 votos, o partido apenas reelegeu Aírton Miotto.

Itapiranga – A continuidade do PMDB

A eleição de 1992 em Itapiranga foi a primeira com apenas dois candidatos para a prefeitura. Este foi também o primeiro páreo sem a presença de Tunápolis e São João do Oeste, o que diminuía o número total de eleitores. Apesar disso, foram mantidas as 11 cadeiras para a Câmara Municipal, o que adicionava novas possibilidades ao pleito.

Por um lado, o PMDB buscava se manter no poder, com a aposta na dupla do então vice-prefeito Jairo Henkes com Edgar Werlang, vice-prefeito eleito em 1985, e que assumiu a prefeitura após a morte de Gilberto Henkes, em 1987. 

Do outro, o PT, apoiado pelo PDT, com a candidatura do então deputado estadual Afonso Spaniol (eleito em 1990), e, de vice, Nelson Alovisi. Não é preciso dizer que a vitória nas eleições de 1990 davam fôlego à candidatura do petista, visto que Itapiranga passou longos anos sem eleger um deputado estadual. No entanto, Afonso Spaniol não teve chance contra o PMDB. E a desvantagem foi grande.

Jairo Henkes (PMDB) foi eleito com 63,35% dos votos válidos (5.393), enquanto que Spaniol recebeu apenas 36,64% (3.120).  As 1.323 abstenções, além de 351 votos brancos ou nulos, apesar de juntos serem expressivos, pouco poderiam decidir neste páreo.

Não bastasse a vitória na eleição para a prefeitura, o PMDB ainda teve grande sucesso na eleição de vereadores. A soma dos votos recebidos pelos seus 16 candidatos e a votação na sigla foi o expressivo total de 5.397, que elegeram Tarcísio Kummer (o mais votado do páreo, com 592 votos), Herwald Otto Trebien, João Pedro Welter, Marco Antônio Wesendock (reeleito), Adroaldo Juchem (reeleito) e Leopoldo Irineu Welter.

A frente partidária de PT e PDT apostou em 19 candidaturas para a Câmara Municipal. No entanto, a pequena votação que os partidos receberam, 1.419 votos para o PT e 394 para o PDT, somente garantiram a eleição de dois vereadores. José Vicente Guarienti representava os pedetistas, enquanto que Milton Simon era o vereador pelos petistas.

O PDS, que não apoiou oficialmente nenhum dos dois candidatos a prefeito, lançou 6 candidatos a vereador, recebeu um total de 1.106 votos e elegeu apenas Dárcio José Fank.

Tunápolis – A força da ARENA

O pleito tunapolitano de 1992 viu desaparecer o PDT que elegeu Bertilo Wiggers em 1989. Este partido não buscou nem a reeleição e nem participou oficialmente de nenhuma das chapas para a Prefeitura. Restou a eles acompanharam de fora a escolha do futuro prefeito.

Assim, bem diferente do páreo de 1989, o cenário em Tunápolis foi menos dividido. O PT e o PMDB, que haviam lançado dois candidatos distintos na eleição anterior, resolveram se unir e apostar na dupla Pedro Armindo Kessler (PMDB) e Arno Müller. Como outra opção aos tunapolitanos estava a dupla PFL e PDS. Estes, sob a liderança do PFL lançaram os candidatos Marino José Frey e Bruno José Heberle.

Nas urnas, a população tunapolitana decidiu por eleger Marino José Frey (PFL), com 1.821 votos (54,43%). O seu único adversário, Pedro Armindo Kessler (PMDB), recebeu os restantes 1.524 votos válidos (45,56%). Brancos ou nulos somaram apenas 40 votos, no entanto, 338 eleitores não compareceram às urnas.

A dupla vitoriosa na disputa da Prefeitura também teve bons resultados na eleição para os representantes na Câmara de Vereadores. O PFL, com 9 candidatos, recebeu 923 votos e elegeu Darci Antônio Naue e Neri Romeu Lawisch. Por outro lado, o PDS e seus 5 candidatos, recebeu 847 votos e elegeu Vasco Antônio Werlang (reeleito e também o mais votado do páreo, com 219 votos), José Roberto Winter (reeleito) e Inácio Roque Rausch.

Mesmo derrotados na disputa pela Prefeitura, a dupla PMDB e PT teve relativos resultados na busca por vagas na Câmara. O PMDB viu seus 9 candidatos receberem 1.027 votos, reelegeu Edvino Rempel, Roque Neiss, e elegeu Maria Andreola Decker, a primeira mulher eleita vereadora em Tunápolis. Além disso, o PT, mesmo com apenas 3 candidatos e tendo recebido somente 343 votos, elegeu Sérgio Luís Theisen.

Tendo enxergado a disputa pela Prefeitura de longe, e com apenas 3 candidatos a vereança, o PDT recebeu 167 votos, e, distante de sua participação vitoriosa em 1989, não elegeu ninguém.

As informações acerca de candidatos, coligações e resultados foram coletadas junto ao website do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC).