Falta de crédito ainda é o principal problema. Em SC, 28,5% dos empresários procuraram e não conseguiram financiamentos

Desde março, quando iniciaram as restrições ao setor produtivo provocadas pelo pandemia de Covid-19, a falta de acesso ao crédito tem sido o principal problema enfrentado pelas micro e pequenas empresas. Com queda média de faturamento de 51% em nível nacional, segundo pesquisa realizada pela FGV e pelo Sebrae, boa parte delas estão com dívidas em atraso ou fecharam as portas.

O estudo mostra ainda que a busca por crédito tem aumentado. A parcela de micro e pequenos empresários atrás de financiamentos subiu de 30%, em abril, para 46%, em junho. A maioria (92%) buscou bancos públicos, mas a taxa de sucesso não passou de 30%.

“Essa é uma grande demanda do setor empresarial, não só industrial. Linhas de crédito que possam suprir as empresas para vencer esse momento de mudança de comportamento muito forte. Algumas linhas de crédito surgiram, mas elas ainda são insuficientes para a demanda que têm as empresas”, disse o presidente da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar.

Com o avanço da crise econômica, cresceu também a inadimplência. Os dados revelam que o percentual de empresas que estavam com dívidas em atraso passou de 33%, no início de maio, para 40%, no final de junho. Outra parcela, de 28%, têm dívidas com pagamento em dia.

Em Santa Catarina não é diferente. Pesquisa do Sebrae/SC em parceria com a Fiesc e a Federação do Comércio de SC (Fecomércio/SC) mostrou que 36% das pequenas empresas que fecharam as portas no Estado poderiam ter continuado as atividades se tivessem conseguido um financiamento. As atividades foram encerradas em 1,5% dos pequenos negócios.

Segundo o levantamento, 28,5% dos empresários procuraram por crédito mas não tiveram sucesso. Entre os que conseguiram, 76,8% usaram o recurso com o básico para a sobrevivência do negócio: fluxo de caixa, capital de giro, refinanciamentos, e pagamentos de funcionários e fornecedores.

Um dos entraves apontados pelos empresários é a falta de capacidade de oferecer garantias entre as pequenas empresas. A saída é buscar financiamentos por parceiros, como o próprio Sebrae que oferece fundos de aval, e o Pronampe, programa federal que determina uma parte do tesouro como garantia.

“As garantias são um problema histórico. Ou a instituição financeira nega ou ela acaba passando isso na taxa de juros, também porque a pequena empresa não tem patrimônio”, disse o gerente de Negócios do Sicoob SC/RS, Dangelo Dalla Rosa.

O Sicoob ocupa o segundo lugar em liberação de crédito do país durante a pandemia. “No caso das cooperativas, precisa de um certo relacionamento, porque mesmo que ele não tenha garantia para ofertar, a cooperativa percebe como é o comportamento. Não vamos olhar para números e documentos. Vamos olhar para o caráter, o perfil, para a reciprocidade que essa pessoa tem conosco”, complementou.