A onda de emancipações iniciada com a promulgação da Constituição de 1988 agendou para 1989 as eleições municipais em Iporã do Oeste e Tunápolis. Este não foi o primeiro momento democrático destes municípios, que votavam até então para escolher os prefeitos e vereadores de Mondaí e Itapiranga, respectivamente. No entanto, a novidade eleitoral era a emancipação, pois os deixava decidir pela primeira vez por si por quem seriam governados.

Desta forma, 1989 foi o momento de estreia eleitoral em Iporã do Oeste e Tunápolis, onde a população de ambos os locais foi encarregada de escolher os prefeitos, vice-prefeitos e 9 vereadores para cada um dos casos.

Sem mais delongas, vamos aos páreos.

Iporã do Oeste

O PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) que havia sido derrotado nas eleições de Mondaí no ano anterior, apostou em Severino Seger e Roque Afonso Colling para disputar a prefeitura. Além disso, 9 candidatos do partido tentariam vagas na Câmara Municipal. Por outro lado, o PDS (Partido Democrático Social), vitorioso em Mondaí, lançou Egon Inácio Marx e Afonso Schneiders, além de outros 14 candidatos para as vagas da Câmara Municipal. O PDT (Partido Democrático Trabalhista), por sua vez, apostou em Hugo Lotário Friedrich. Hugo havia sido vereador em Mondaí e se candidatou a prefeito em 1988, mas sem sucesso. Pela vereança iriam 9 candidatos.

Além dos três partidos que buscavam estrear a prefeitura, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrata Cristão (PDC), mesmo sem apoiar nenhum dos candidatos, buscaram vagas na Câmara. O primeiro tentou a sorte com 9 candidatos, enquanto que o segundo com apenas 2.

Na disputa pelas vagas na Câmara Municipal, o PMDB e o PDS obtiveram os maiores sucessos. O primeiro recebeu 1.308 votos e elegeu Bruno Maldaner (o mais votado, com 351 votos), Pedro Artur Ammon (havia sido vereador por Mondaí) e Írio Kreisig. Por outro lado, o PDS, que recebeu 1.338 votos, elegeu Nilo João Ghilardi (ex-vereador por Mondaí), Natalio Skrypcsak e Bernardo Klunk.

Além destes seis, também foram eleitos para a primeira legislatura do município os candidatos Verene Inês Ceolin (única vereadora mulher eleita) e Aírton Miotto (ambos do PT) e Elton Kist (PDT). O sucesso do PT, mesmo sem lançar candidatos à prefeitura, foi devido aos 739 votos que seus nomes a vereador e a sigla receberam. Por outro lado, o PDT, apesar da boa votação de Friedrich, somente recebeu 651 votos na disputa pela vereança. Azarado mesmo foi o PDC, cuja sigla e candidatos receberam apenas 153 votos, insuficientes para qualquer tentativa.

O primeiro prefeito do município foi decidido em uma votação apertada. Nesta disputa foi eleito o candidato do PMDB, Severino Seger, com 1.580 votos (38,88%), seguido de Egon Marx (PDS) com 1.345 (33,10%) dos votos válidos. Fechava a sequência Hugo Friedrich (PDT), com 1.138 votos (28%), tendo sido derrotado duas vezes em um ano na disputa de uma prefeitura (nas eleições municipais de Mondaí em 1988 e neste páreo).

Assim, foi o PMDB que inaugurou a cadeira de prefeito em Iporã do Oeste.

Tunápolis

O município também vinha aquecido pela disputa eleitoral de Itapiranga no ano anterior. Diversos dos candidatos do páreo de 1988 decidiram repetir as tentativas ou as vitórias. Foi nesta onda que o PMDB apostou no nome de Mario Becker, que havia sido eleito vereador por Itapiranga em 1988 (e renunciado depois da emancipação de Tunápolis), para tentar estrear a prefeitura municipal. Para esta candidatura foi escolhido o nome de Romeu Echer como vice.

Também na onda de vereadores eleitos no páreo anterior, Bertilo Wiggers do PDT, junto a Germano Zoz Filho, resolveram tentar a sua sorte. A outra candidatura para a prefeitura veio da parte do PT, com a dupla Breno José Loebens e Aurélio Roque Flach. Por fim, o PDS resolveu não apoiar oficialmente nenhum dos três candidatos.

A grande mudança com relação ao cenário político de Itapiranga veio com o partido do primeiro prefeito eleito por Tunápolis: o PDT de Bertilo Wiggers. Distante da disputa histórica entre PDS e PMDB, Wiggers foi eleito com 1.579 votos (50,80%).

O derrotado no páreo de ex-vereadores, Mario Becker (PMDB), recebeu 1.292 votos (41,57%), e foi seguido pelo massacrado candidato do PT, Breno Loebens, este com apenas 237 votos (7,6%). Do total de 3.574 eleitores, 195 não compareceram ao páreo, e outros 271 votaram em branco ou anularam as suas votações.

Com relação à Câmara dos Vereadores, o cenário foi um pouco diferente.

O vitorioso PDT havia lançado sete candidatos para a Câmara Municipal. Destes, foram eleitos apenas Nereu Sávio Ramos e Renato Paulata. Por outro lado, o PMDB, apesar de derrotado na disputa pela prefeitura, viu sua legenda e seus 11 candidatos receberem 1.223 votos, suficientes para eleger Edvino Rempel (vereador mais votado do páreo, com 227 votos), Arno Müller e Roque Neiss.

Mesmo com a não apresentação de um candidato ou de um apoio oficial para a disputa da prefeitura, o PDS teve grande sucesso na busca por vagas na Câmara Municipal. O Partido recebeu 931 votos, que elegeram 3 de seus 7 candidatos. Assim, foram eleitos Egon Lawisch, José Roberto Winter e Vasco Antônio Werlang.

Por fim, o PT, além do péssimo resultado de seu candidato a prefeito, recebeu apenas 398 votos em sua sigla e seus vereadores. De todos os seus 8 candidatos, apenas Inocêncio Heck conseguiu ser eleito.

*As informações acerca de candidatos, coligações e resultados foram coletadas junto ao website do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC).