O único município da nossa região de cobertura a realizar eleições em 1988 foi Itapiranga. Pela primeira vez desde a redemocratização o páreo serviria para escolher o prefeito e os 11 vereadores do município. Neste ano, a situação teve algumas transformações com relação à 1985, ou 1982, quando ocorreu a última eleição para vereadores.

A eleição de 1988 contou com “apenas” três candidatos à prefeitura, ao invés dos cinco do páreo anterior. Além disso, começou uma tendência de alianças, que, se analisadas do ponto de vista das ideologias políticas que representavam seus partidos, tinham pouco sentido. O exemplo deste tipo de situação era a coligação liderada pelo PDS (Partido Democrático Social), de direita, que unia o PFL (Partido da Frente Liberal, de direita e dissidência do PDS), e o PDT (Partido Democrático Trabalhista, de esquerda e liderado por Leonel Brizola em nível nacional). Por esta coligação foi lançado Roberto Berwanger, e, de vice, o então vereador Werner Stülp.

Roberto havia sido nomeado prefeito em 1985 pelo então governador Espiridião Amin, e assumiu a função em 15 de março daquele ano, cumprindo um mandato tampão que durou até a posse de Gilberto Henkes, no dia primeiro de janeiro de 1986. A então esperança da coligação encabeçada pelo PDS era de que Roberto se tornasse prefeito outra vez, nesta ocasião pelo voto popular.

Esta coligação esperava superar o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), que governava o município sob a administração de Edgar Werlang (este assumiu após a morte de Gilberto Henkes em 1987). O partido da situação lançou para o páreo de 1988 a dupla encabeçada pelo então vereador Áureo Vendelino Welter, e, como vice, o filho do falecido Gilberto Henkes, Jairo. 

Por fim, o PT (Partido dos Trabalhadores), também com chapa única, disputou a prefeitura com a dupla Ênio Luiz Spaniol e Mateus Wiggers. O partido de esquerda, naquela época sem tradição no município, esperava que Ênio, que havia sido candidato a deputado estadual nas eleições de 1986, apesar de não ter tido sucesso, pudesse ter a seu lado uma vantagem maior e garantir ao PT um resultado positivo.

Apesar da união de partidos junto ao PDS e a candidatura solitária do PT, a população itapiranguense decidiu por manter no poder o PMDB, dando vitória ao candidato Áureo Welter, com um total de 5.756 votos (45,23%). O ex-prefeito Roberto Berwanger do PDS recebeu 5.098 votos (40,06%), e foi seguido pelo candidato do PT, Ênio Spaniol, com 1.870 votos (14,64%)

Para a Câmara de Vereadores o PMDB lançou 19 candidatos, e estes receberam 5.866 votos, além de outros 171 votos apenas na sigla. Quantias suficientes para eleger os candidatos Adroaldo Juchem (o mais votado daquele ano, com 619 votos), Baldo Pedro Grasel (reeleito), Mario Becker, Marco Antonio Wesendock e Celestino Pedro Forneck.

A coligação formada para dar força a candidatura de Roberto Berwanger lançou um total de 20 candidatos. Neste grupo, o PDS, que lançou 12 candidatos a vereador, recebeu um total de 3.342 votos, que elegeram Alcidio Meier, Bernardo Herschaft e Egon Grasel (reeleito). Os outros dois partidos da coligação, o PFL e o PDT, lançaram 6 candidatos cada. O PFL foi o mais feliz, pois recebeu um total de 1.370 votos e elegeu Bertilo Wiggers e Edo José Stülp. A parte infeliz da coligação foi o PDT, o qual, mesmo com seus 758 votos, não foi capaz de eleger um candidato sequer.

Por fim, a candidatura solitária do Partido dos Trabalhadores lançou 17 candidatos, recebeu 2.067 votos e elegeu apenas Ilse Schneiders, a única mulher eleita no páreo.

Do total de 15.382 eleitores naquela eleição, 1.509 decidiram não votar. Além disso, na escolha para prefeito, 1.149 optaram pelo voto em branco ou nulo, quantia alta se comparada à eleição anterior (com apenas 136 casos assim).

*As informações acerca de candidatos, coligações e resultados foram coletadas junto ao website do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC).