Julho de 1952. O “Estado” de Florianópolis, na sua edição do dia 16, trazia os informes do Parlamento catarinense. Naquela semana, entre as diversas questões discutidas, o deputado itapiranguense do PRP (Partido de Representação Popular), Vicente João Schneider, apresentou à Assembleia Legislativa as plantas para o então novo Colégio das Irmãs da Divina Providência, “Frei Rogério” (futuro São Vicente).

Itapiranga, naquela época ainda um distrito pertencente ao município de Chapecó, reunia grandes esforços para a reconstrução do colégio, completamente destruído por um incêndio no ano anterior. Desta vez, no entanto, a pequena estrutura de madeira do colégio Frei Rogério, instalado em 1938, daria espaço a uma enorme construção de alvenaria, renomeada mais tarde como “São Vicente”.

A nova estrutura, apesar da contribuição de 200.000 cruzeiros por parte do estado de Santa Catarina, e do grande esforço da população do distrito de Itapiranga para a sua construção, ficou em propriedade das Irmãs da Divina Providência. Os rumos da política, com o tempo, transformaram o São Vicente em uma escola estadual e sua estrutura em propriedade pública.

Todavia, a construção de um nova estrutura para o colégio, finalizada em 2013, fez com que a antiga, desde então, fosse subutilizada. O prédio, com sua bela fachada, é sede de algumas repartições públicas, que pela imensidão da estrutura não dão conta da sua completa utilização.

É importante mencionar que o espírito e a obrigação comunitária transformaram, por décadas, Porto Novo em um palco de grandes obras populares, como a da colégio São Vicente. Dentre estas, podemos destacar especialmente as diversas igrejas, colégios e hospitais cujas construções e grande parte dos investimentos foram realizados pela população portonovense.

Felizmente os investimentos tiveram seu retorno ao longo de décadas, porém, na atualidade, é triste perceber que algumas estruturas construídas pela população estão sem uso ou não pertencem a ela. Este é o caso da antiga estrutura do Colégio São Vicente (mesmo pública, pertence ao estado e não ao município), mas também a do desativado Colégio Agrícola, que poderiam servir de espaços de ensino públicos direcionados a população da região de Porto Novo, mas não o são.

Edição consultada: O Estado. Florianópolis, 16 de julho de 1952, n. 11.448. Disponível na Hemeroteca Digital Brasileira