Três décadas se passaram após a significativa queda do Muro de Berlim, que dividiu por longos anos a Alemanha Oriental e a Ocidental. Em 9 de novembro de 1989, o muro de 155 quilômetros de extensão representado por repressão e autoritarismo foi derrubado. Junto com ele, a restrição da liberdade.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha e sua capital, Berlim, foram divididas em quatro zonas, cada uma controlada por uma das potências vencedoras da disputa: URSS, Reino Unido, França e Estados Unidos. Berlim pode ser lembrada por dois capítulos históricos: antes e pós-muro, que carrega como símbolos a Guerra Fria e a União e Paz.

Não há como passar despercebido por uma data, historicamente, memorável. Uma época em que inúmeras famílias foram separadas por uma barreira gigantesca de intolerância, de desigualdade racial, de pobreza, desigualdade de gênero, social e econômica.

Hoje, podemos relembrar e celebrar o rompimento de um regime detestado. É importante destacarmos a capacidade da Alemanha, que atualmente é reunificada em uma realidade completamente diferente de 30 anos atrás. Um país que, agora, consegue manter unidos trabalhadores qualificados, professores universitários, advogados, engenheiros, médicos e cientistas. Houve uma evoluída reconstrução após a devastação que levou à ruína a Alemanha Oriental.

Ao caminhar pela nova Berlim, vemos bares, artistas, galerias de arte, restaurantes e uma diversa vida noturna. O muro, que separou milhares de pessoas, hoje reúne turistas e transformou o local de tristeza e revolta em um local próspero e rentável. Documentadamente, fica o conhecimento da ditadura comunista e da ditadura nazista para que nunca mais aconteça tamanha brutalidade, renegada por nós políticos. A Alemanha celebra a liberdade – bem tão precioso e necessário para que possamos evoluir politicamente.

O cenário macroeconômico da Alemanha aponta que a previsão do PIB é de crescimento de 1,9% e a inflação permanece a baixos patamares, com estimativa de 1,7%, em 2019.

Considerada a maior potência econômica da Europa, a Alemanha é a 4ª maior em nível global, com uma população estimada em 83 milhões de pessoas. A taxa de desemprego segue uma tendência de queda desde 2012, e a previsão continua a ser de queda, podendo chegar a 3,5% neste ano.

O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi calculado em 0,936, em 2017, ou seja, o 5º no ranking de 188 países, sendo considerada uma economia de nível muito alto de desenvolvimento humano. Ainda se caracterizou por ter sido o 7º principal país consumidor do mundo, com 445 milhões de pares de calçados em 2017.

Crescer junto

O ex-chanceler Willy Brandt disse certa vez, em relação à reunificação da Alemanha, que “o que junto pertence deve crescer junto.” Berlim se transformou em uma só cidade e a arquitetura revela as diferenças entre a parte Ocidental e Oriental. Brandt resumiu, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz, que “a guerra não é o último recurso, mas sim uma opção irracional”. A paz era o valor fundamental.

O que levamos dessa data e um dos principais símbolos da Guerra Fria? A certeza da relevância da diplomacia, de que não precisamos de tijolos e cimento, nem arame farpado e muito menos a presença armada. Levamos, sim, o sentimento de que estarmos juntos é imensamente melhor do que separados.

Por: Carlos Chiodini, deputado federal/ Jornalismo Adjori/SC