22 DE NOVEMBRO

 Tunápolis/SC – Conhecemos a música desde os primórdios, uma vez que ela sempre esteve presente nas civilizações, fazendo parte de todas as culturas.

Já o músico, tanto em caráter profissional quanto o amador, é quem realiza alguma atividade ligada diretamente à música: que toca algum instrumento, canta, escreve arranjos, compõe, dirige um grupo coral ou algum grupo de músicos, entre outros.

No dia, 22 de novembro, é comemorado o Dia do Músico, uma data que homenageia os artistas que encantam a humanidade há milhares de anos. O Dia do Músico é comemorado no mesmo Dia de Santa Cecília, considerada também a padroeira dos músicos.

Para entender um pouco mais sobre a área e homenagear os músicos, a nossa reportagem conversou com Gelson Luís Meotti de Tunápolis. Gelson atualmente conta com 49 anos e tem 37 anos de vida musical.

Gelson conta que aprendeu a tocar violão aos 12 anos de idade, e junto já a cantar também: “Tive essa curiosidade, porque tocar sem cantar para mim parece que falta algo. Então tocar violão eu aprendi sozinho, apenas observando os outros que tocavam. Quando ia em baile, eu só observava quem tocava, não queria saber do baile em si, tanto é que meu primeiro violão comprei aos 12 anos, com o dinheiro de um porco que o pai me deu para engordar, que depois de gordo, vendi. Fui para Itapiranga comprar meu violão que era caríssimo, lembro que duas lojas só vendiam o instrumento na época e o dinheiro que eu tinha não dava de chega, mas a vendedora fez um desconto pra mim e consegui comprar o precioso violão. Naquele dia eu entrei no ônibus de volta para Tunápolis com um sorriso de orelha a orelha. Eu tinha realizado um sonho!”.

Meotti relembra que para sair a primeira música de forma boa, demorou bastante tempo: “Poderia dizer que dos meus 12 aos 14 anos foi a fase difícil de aprendizagem, mas depois eu já estava tocando e cantando violão. Gaita eu também aprendi a tocar sozinho, mas não me considero um gaiteiro”.

De acordo com o músico, o primeiro evento que animou foi um casamento, ainda na década de 80 e o grupo se chamava A Turma da Pesada. Atualmente ele integra o Musical Alegria de Tunápolis, e diz que o recorde foi de quatro eventos animados em um final de semana.

Sobre as dificuldades da época ele explica: “A música era somente nas horas de folga que eu podia me dedicar, pois tinha o trabalho na roça, sábados e domingos era para ir no culto ou missa. Aos domingos, ao invés ir no futebol, eu ficava em baixo da sobra da árvore treinando com o violão. Na época eu não tinha acesso a aulas de músicas e hoje se tem tudo isso, então hoje é tudo mais fácil”.

O músico conta que tem uma facilidade enorme em decorar letras de músicas, mas já aconteceu de esquecer uma parte da letra: “E aí você improvisa, repete o verso e segue, porque o show não pode parar, e na maioria das vezes acaba que ninguém percebe”.

Meotti diz que um dos desafios hoje é a concorrência: “Mas é um desafio bom, porque te faz buscar um diferencial dentro daquilo que você sabe, sem querer inventar, sem querer fazer o que você não sabe e sem, jamais pensar em copiar o outro, mas sim fazer do teu jeito, ser diferente. As vezes em cima do palco, você precisa tirar alegria de onde você as vezes não tem. Acontece de estar em um dia que você não está nada bem, mas não pode transmitir isso ao público e sim transmitir alegria, animação, energia positiva, precisa levantar o alto astral das pessoas. O púbico não quer saber de seus problemas particulares, eles querem ver o nosso melhor no palco. Temos o dever de não deixar transparecer problemas pessoais, cansaço ou desânimo e temos que dar nosso melhor como músico que foi contratado. Mas ainda penso que a maior dificuldade é sobreviver somente da música, que infelizmente hoje, para nós músicos de bandinhas pequenas e locais, não sobrevivemos da música, precisamos ter outra profissão junto, ou seja, ser músico é matar um leão por dia. Uma das vantagens é que atualmente os bailes são mais animados que antigamente, além de oferecer uma estrutura melhor a banda e ao público”.

Sobre acompanhar a evolução musical que existe hoje: “Na nossa região, por exemplo, você tocar sertanejo universitário não dá, precisa ser música de bandinha, música dançante, que é o que a cultura da nossa região pede. Você precisa ter muito cuidado para trazer um reportório conforme o seu público, pode ser gaúcha, sertaneja, mas precisa ser em um ritmo dançante. A evolução musical dos últimos tempos é questão cultural, mas você pode observar que toda e qualquer dupla de renome nacional continua cantando sucessos do passado, porque aquelas músicas antigas trazem uma mensagem, uma história em sua letra e isso não se perdeu e nunca se perderá, pois são músicas que não são como muitas de hoje, que são sucesso por alguns meses e caem no esquecimento, para dar lugar a um novo lançamento”.

O músico esclarece: “Não sou alemão, mas carrego uma consideração muito grande pela cultura alemã porque é uma cultura que abre as portas para os músicos, que dá a oportunidade de mostrar o trabalho das pequenas bandas, ou bandinhas como são conhecidas”.

Gelson enfatiza: “Eu vejo um futuro de muita valorização para as bandinhas regionais, porque hoje uma banda grande, de renome estadual e interestadual, não tem como tocar por menos do que o justo pela sua estrutura e quantidade de integrantes, mas as pequenas comunidades, em sua grande maioria, não podem pagar um valor altíssimo, então vejo sim um futuro muito promissor para os músicos das bandinhas regionais”.

“Quero aqui aproveitar e parabenizar todos os músicos, assim como a todos que estão ligados a essa arte, que trabalham e estudam nesse ramo, a todos que trazem alegria, emoção e transmitem os melhores sentimentos através das excelentes melodias e canções. Feliz Dia do Músico!”, finaliza.