Segundo secretário de Política Agrícola, o ministério está trabalhando para preservar o volume de recursos no patamar de anos anteriores, mas vai precisar mexer nas taxas

A equipe do Ministério da Agricultura está trabalhando para manter o volume de crédito rural disponibilizado no Plano Safra 2019/2020 no nível dos anos anteriores, afirma o secretário de Política Agrícola, Eduardo Sampaio. “Mas vamos precisar mexer nas taxas de juros de algumas linhas de crédito”, conta.

Segundo o secretário, a pasta está priorizando pequenos e médios produtores. “Sem esquecer dos grandes. Mas os juros de algumas linhas, que não são de pequenos e médios, podem aumentar”, afirma. Tudo vai depender, conforme explica Sampaio, da aprovação do Projeto de Lei no Congresso Nacional (PLN) que libera crédito extra para o Executivo e dos ajustes finais com a equipe do governo.

Sampaio participou do Mercado & Companhia desta quarta, dia 5, e disse que a possibilidade do lançamento do Plano Safra ser postergado é grande, porque a votação do PLN foi adiada. “O governo só pode fazer o anúncio quando tiver certeza de que haverá recursos”, explica Sampaio.

A comissão mista do Congresso que analisa a medida suspendeu a sessão desta quarta. De acordo com o relator do texto, deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA), a discussão só deve ser retomada na terça, dia 11, véspera do anúncio do programa.

O atraso pode afetar todo o cronograma da liberação do crédito. “A nossa perspectiva era lançar no dia 12 para chegar ao banco, lá no interior, em 1º de julho. Precisamos ver quando acontecerá a liberação para avaliar se vamos conseguir manter o calendário”, conta Sampaio.

O secretário esclarece que a maioria dos recursos do Plano Safra já foi garantida com outras fontes, mas parte está no projeto. “Além disso, os recursos do PLN também são para cumprir com compromissos de financiamento do passado”, afirma.

Buscando outros meios

Eduardo Sampaio também relatou que a equipe do ministério está trabalhando para criar meios para que toda a cadeia produtiva consiga acessar crédito fora dos recursos oficiais, com juros compatíveis. “Estamos conversando com o pessoal da Economia e do Banco Central, para não ficarmos na dependência do Plano Safra”, diz.