(A história pormenorizada da trajetória dos 3 municípios da grande Itapiranga está narrada nos 2 livros do autor entitulados Max von Lassberg: vida, obra, tributos (2ª ed. 2018) e Porto Novo: um Documentário Histórico (3ª ed. 2015). Disponíveis na Livraria Dadylandy em Itapiranga. No bazar “Cor e Amor” em São João do Oeste. Em Tunápolis “Baumgratz C. e utilidades”. Com o autor rroquej@gmail.com).

Na comemoração dos 65 anos da emancipação de Itapiranga quero destacar, neste artigo, os principais desdobramentos geopolíticos desta Terra.

Itapiranga é fruto de um projeto de colonização que nasceu em 1912, criado por lideranças das zonas alemãs do Rio Grande do Sul.

O projeto consistia em comprar uma área de terra para ali assentar colonos que fossem católicos e alemães, provenientes das zonas alemãs do Rio Grande do Sul.

Em 1912 os alemães católicos do Rio Grande do Sul fundaram uma associação, chamada Volksverein, a qual cultivava o projeto de comprar uma gleba que fosse suficientemente grande, que tivesse terras férteis, que tivesse legalidade fiscal, que fosse acessível por estradas e/ou vias fluviais, que fosse mecanizável, que tivesse preços acessíveis.

Itapiranga: Consequência de um não do governo gaúcho

Durante quase 10 anos o Volksverein tentou comprar um perímetro colonial no Rio Grande do Sul. Os governos gaúchos, adeptos do ideário do positivismo, achavam absurda a ideia de se criar um lugar exclusivo para determinada religião e etnia. Como não queriam se indispor com autoridades eclesiásticas estes governantes optaram em adiar indefinidamente a questão. Pe Rick percebeu a manobra e decidiu conferir uma proposta que a empresa Chapecó-Pepery Ltda, colonizadora de Mondaí-SC, lhe havia feito há alguns meses. Por necessidades financeiras a Chapecó-Pepery Ltda propôs vender ao Volksverein todas as terras entre o rio Macuco e Pepery-Guaçu.

Dias 3 e 4 de janeiro de 1926 Pe. Rick veio ver as terras e fechou o negócio, o qual foi assinado dia 25 daquele mês, conforme pode ser visto no mapa. Este mapa foi publicado em 1951 quando a colonização já esteve adiantada. Os números escritos à mão (no mapa) indicam o número de lotes rurais que compõem cada uma das 37 linhas de colonização. Futuramente as comunidades foram surgindo sobre estas linhas. A comunidade de Cristo Rei, por exemplo, foi construída sobre partes das Linhas Poná, Macuco, Fortaleza, Fortuna e São Paulo.

A gleba comprada, de 58.395 hectares, foi batizada de Porto Novo, à semelhança e distinção com Porto Feliz.  A região pertencia a Chapecó, município criado em 1917.

Em 1928 Porto Novo recebeu a visita do governador do Estado, Adolfo Konder, o qual prometeu elevar o local à categoria de distrito e pediu que Porto Novo trocasse o nome para Itapiranga e Porto Feliz passasse a se chamar de Mondaí. Alegou que já existiam dezenas de cidades com o nome de Porto. Prometeu ainda construir uma linha de telégrafo até Chapecó.

Em 1932 Itapiranga foi elevado a Distrito. As principais autoridades foram: o subprefeito e Comissário de Quarteirão. O Brasil derivou para um regime de ditadura (1930-1945). Os governantes passaram a ser nomeados e nem todas as garantias individuais eram respeitadas. De 1930 a 1945 o povo itapiranguense nem sabia que existiam eleições (somente em 1947 vieram urnas para Itapiranga possibilitando que o povo participasse de uma eleição). Veio a II Guerra Mundial e os alemães do Brasil foram considerados inimigos do país. Para fins de segurança, o Governo criou um novo semi-Estado, chamado Território do Iguaçu, ao qual Itapiranga pertenceu sob o nome de Vila Pepery. Este Terrirório foi extinto em 1946.

Emancipação de Itapiranga

Em 1948 Itapiranga tentou se emancipar. Não tinha os 20.000 habitantes exigidos. A lei previa emancipações em intervalos de 5 anos. Em 1953, com 13 mil habitantes, a emancipação de alguns distritos mexeu com os ânimos. O projeto previa que Mondaí e Itapiranga formassem um único município com sede em Mondaí. Lideranças juntamente com Vicente João Schneider, deputado estadual por Itapiranga, não aceitaram. Meses de discussões e intrigas. Uma emenda na constituição do Estado (ter 5 mil habitantes) permitiu que todos os distritos da redondeza se emancipassem. A lei da criação do município de Itapiranga saiu no fim de 1953 e a instalação solene ocorreu em 14 de fevereiro de 1954. O primeiro prefeito foi Wilibaldo Schoeler.

Os municípios-filhos: Tunápolis e São João do Oeste

Ainda em 1955 foi criado o distrito de São João. Em 1961 foi criado o 2º distrito, Tunas. Em 1963 a vila de São João fez sua 1ª tentativa de emancipação. Sob muita polêmica e confusão o projeto não foi aprovado na câmara de vereadores. Em 1968 o projeto foi novamente preparado e desta vez foi aprovado na câmara municipal, mas foi derrubado na Assembleia Legislativa. Por volta de 1988 houve uma onda de emancipações e vários distritos encaminharam o projeto. Assim, em em 1989 o Distrito de Tunápolis se desmembrou de Itapiranga e em 1991 São João do Oeste também se desmembrou.