Foto ilustrativa

Desde o dia 26 de abril está chovendo no município de Itapiranga. O máximo é um dia de sol. As lavouras de soja estão perdidas. O milho está deteriorando na roça. O feijão também está perdido. O auge da enchente foi na madrugada e durante todo o dia de sexta-feira, 20, quando os rios cresceram tanto que invadiram estradas, levaram casas, galpões, chiqueiros, galinhas, patos, suínos e bovinos. Não houve vítimas humanas, mas existem agricultores que perderam quase todos os bens. (…)

Enchente

Na tarde do dia 19 de maio, por volta das 13h, uma chuva forte atingiu todo o Oeste de Santa Catarina. Em Itapiranga esta chuva formou verdadeiros rios nos leitos das estradas. Muitas pessoas tiveram dificuldades para ir ao serviço em consequência das inundações. A água vinha dos morros trazendo pedras e barro. As máquinas e os homens da prefeitura trabalharam intensamente para desentupir os bueiros fechados. Na Rua da Matriz a água invadiu a casa e o bar de Acácio Locks, ameaçando o prédio e suas estruturas. O prédio teve que ser escorado. Na Cooperativa a água também invadiu o escritório e, assim, em muitos lugares a água entrou nas casas. Segundo alguns moradores, Itapiranga ainda não havia visto um toró de água tão forte. Esta chuva em volume exagerado também atingiu a maioria das comunidades do interior do município onde os riachos tomaram formas assustadoras. As águas fortes estragaram muito as estradas e levaram pontes, como é o caso da ponte do morador Klaus em Cristo Rei. O Macaco Branco passou por cima das pontes na maior parte dos lugares.

Peperi

Os maiores estragos aconteceram ao longo do Rio Peperi-Guaçú. Este rio, que faz a divisa entre Brasil e Argentina, cresceu rapidamente de madrugada – na sexta-feira, dia 20. A maior parte dos moradores ainda estava dormindo quando o volume de água do Rio Peperi aumentou em questão de minutos. Muitas comunidades foram atingidas. No lado argentino a fúria da água arrancou árvores numa larga faixa de terra. No lado brasileiro as vítimas começaram por Raigão e terminaram na Linha Aparecida, passando por Linha Bonita, Pitangueira, Conceição, Coqueiro, Dois Saltinhos e São Ludgero. Em Aparecida a água inundou várias casas. Em São Ludgero uma casa foi levada embora. Em Dois Saltinhos houve os maiores prejuízos nas propriedades de João Wenke, Tobias Rohden, Rainoldo Feldhaus, Paulo Schmitz, Luft e outros. Na propriedade de João Wenke a água levou um chiqueiro com aproximadamente 10 suínos, alguns dos quais gordos. Alguns porcos ainda foram salvos pelo caíque. Um porco de 300 quilos teve que ser carneado. A água também invadiu o galpão levando milho, soja e também a casa, que está pendurada com muitos defeitos. Na propriedade de Tobias Rohden a água invadiu um galpão de 1.500 sacas de milho, dos quais aproximadamente 500 sacos estão perdidos. Além disso, foram levadas muitas galinhas. Na propriedade de Rainoldo Feldhaus a água invadiu a casa. Quando ele notou deu tempo apenas para levar as crianças para fora e salvar alguns documentos. O gado se soltou e nadou para fora. Assim, houve muitos prejuízos em diversas propriedades de Dois Saltinhos. Em Coqueiro as propriedades mais atingidas foram do senhor Baumann, onde a água levou milho, um galpão e até uma trilhadeira. Animais também desapareceram. Ao longo do Rio Peperi foram vistos bovinos mortos sendo levados pela correnteza. Segundo os moradores que foram morar com amigos, vizinhos, na escola ou igreja, nunca foi visto o Rio Peperi tão alto. (…)

Observações:

  • Este texto não se refere à grande enchente do Rio Uruguai, que aconteceu em julho de 1983.
  • Conforme o senhor Wolfgang Lengert, que registra há várias décadas as precipitações em nossa região, nos 30 dias que antecederam o 20 de maio de 1983 choveu cerca de 900 mm. O normal é pouco mais de 200 mm por mês. No auge, dias 17, 18 e 19 de maio, já com o solo encharcado, chegou a chover 300 mm. Verdadeiras trombas d’água caíram sobre Itapiranga e região, que ocasionaram as cheias repentinas nos rios locais (os rios menores).