Guido Lenz, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Não faz muito tempo que falar de bomba atômica seria considerado um assunto de um passado remoto de guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. Infelizmente com o Trump como presidente dos Estados Unidos e o Kim Jong Un comandando a Coréia do Norte isto não é mais assim. Esta semana assistimos tristes mais um teste, desta vez com uma potência muito maior, indicando que seja uma bomba de hidrogênio.

Existem dois tipos de bombas atômicas – aquelas nas quais a energia vem de quebra de átomos, geralmente de plutônio ou de urânio e aquelas da fusão de átomos, até agora desenvolvidos somente com hidrogênio. Ambas transformam massa em energia, segundo a famosa fórmula proposta pelo Einstein: E = mc2. Isto é, a energia é igual à massa vezes a velocidade da luz ao quadrado. Isto é uma quantidade gigantesca de energia. Para se ter uma ideia, se 1 grama de massa fosse completamente transformada em energia, geraria uma energia equivalente à explosão de 20 mil toneladas de explosivos do tipo TNT o que dá 500 carretas carregadas de explosivos.

Transformar massa em energia não é algo simples – são necessárias condições muito especiais, como temperaturas e pressões elevadíssimas. Para fazer uma bomba de hidrogênio, se usa uma bomba atômica de urânio para gerar estas condições e levar à fusão dos átomos de hidrogênio para formação de átomos de Hélio e geração de energia. Esta é exatamente a mesma reação atômica que ocorre no sol há milhares de anos.

O nível de energia que é possível conseguir com uma bomba de hidrogênio é muitas vezes maior do que com a bomba atômica de fissão. A bomba testada esta semana pela Coréia do Norte teve a energia de 100 mil toneladas de explosivos, mas com a bomba de hidrogênio é possível chegar à 100 milhões de toneladas de explosivos. Espera-se que os líderes envolvidos sejam sensatos, terminem com esta nova corrida armamentista e consigam resolver os conflitos de forma amigável.

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