Guido Lenz, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Todos nós sabemos o que é a matéria – podemos senti-la, tocá-la e estudá-la. Matéria é formada por partículas minúsculas como prótons, nêutrons e elétrons ou partículas ainda menores que atendem por nomes estranhos como quark, muon e tau. Cada uma destas partículas ínfimas tem uma anti-partícula. O elétron tem o pósitron, o quark tem o anti-quark e assim por diante. Quando uma partícula e uma antipartícula se encontram eles se aniquilam, gerando energia em forma de um fóton de luz.

Uma das perguntas mais fundamentais da física é porque na explosão original foi gerada só matéria e não quantidades equivalentes de antimatéria. Uma das respostas para esta questão é que antimatéria foi criada e existe um outro mundo de antimatéria muito distante daqui.

É possível criar antimatéria no laboratório, mas este é um processo muito complicado, pois esta antimatéria não pode entrar em contato com nenhuma matéria, pois este encontro leva à destruição mútua. Por isso só se consegue produzir antimatéria em equipamentos imensos e esta antimatéria dura muito pouco. Mesmo com todas estas dificuldades a ciência está conseguindo medir algumas propriedades da antimatéria, principalmente para tentar achar alguma diferença que possa explicar porque na grande explosão, o Big Bang, que gerou toda a matéria foi gerada matéria e não antimatéria.

Vocês podem se perguntar qual é a utilidade de estudar isto. O objetivo da ciência é explicar o mundo. Os primeiros cientistas foram curiosos que olharam para as estrelas e formularam hipóteses que definiram a forma de como resolvemos problemas científicos. Entender a antimatéria é uma destas perguntas centrais sobre a origem do universo que simplesmente temos curiosidade de saber. Que as pesquisas nesta área saciem nossa sede de conhecimento e consigam responder como a matéria, e não a antimatéria, foram criados no Big Bang.